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29.10.2026 HOSPITAL GERAL DE BONSUCESSO

Outubro Rosa: Evento na Re-Humam HGB debate violência, sexualidade e o abandono de mulheres com câncer

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Evento "O que há de lilás no rosa?" trouxe palestras dialogadas.
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Impacto do tratamento oncológico na vida das pacientes com câncer foi o foco do encontro.

Como parte da programação da campanha Outubro Rosa, a Re-Humam do Hospital Geral de Bonsucesso promoveu o evento "O que há de lilás no rosa?". A palestra dialogada teve como foco as interseções entre a sexualidade e as diversas formas de violência sofridas por mulheres em tratamento oncológico. O encontro propôs um debate sobre o cuidado integral à paciente, passando por desafios que vão desde o abandono familiar até as barreiras institucionais no acesso à saúde.

Sob a mediação de Maria Fernanda Santos, coordenadora da Re-Humam HGB, o painel contou com a participação da assistente social da unidade Jady Nascimento e da enfermeira do Instituto Nacional de Câncer (INCA) Carmem Lucia de Paula. Em sua apresentação, Jady utilizou a história de sua própria mãe — que faleceu em decorrência do câncer — para ilustrar como as violências estruturais de gênero operam tanto dentro das relações familiares quanto nas dinâmicas das instituições de saúde.

O impacto do tratamento oncológico na vida íntima e afetiva das pacientes foi o foco da enfermeira Carmem Lucia. A partir de relatos de casos, ela demonstrou como a violência perpassa o histórico de mulheres que enfrentam adoecimentos graves. Durante o encontro, ganhou destaque o debate sobre a solidão imposta à mulher doente, frequentemente abandonada pelo companheiro em seu momento de maior vulnerabilidade.

As especialistas também alertaram para as barreiras institucionais, classificadas como uma forma de violência que atinge de maneira desproporcional mulheres negras e empobrecidas. Segundo as palestrantes, as falhas no acesso fazem com que esse grupo demográfico chegue às unidades de saúde com a doença em estágios muito mais avançados.

Como contraponto e caminho para o cuidado, Carmem Lucia apresentou os resultados de seus dez anos de atuação no ambulatório de sexualidade do INCA. O serviço tem apresentado avanços significativos no tratamento integral da pessoa com câncer. O evento foi concluído com o consenso de que é fundamental identificar precocemente as situações de violência e oferecer recursos de acolhimento coletivo — como os grupos de apoio —, criando espaços de pertencimento e fortalecimento para as pacientes que enfrentam o tratamento e o abandono.

Créditos: Comunicação Social HGB/GHC