O Hospital Geral de Bonsucesso promoveu um evento especial para marcar o Dia do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, celebrado em 13 de outubro. O encontro reuniu profissionais, gestores e convidados em um ciclo de palestras focado no compartilhamento de conhecimentos e na reflexão sobre o impacto dessas categorias na assistência prestada no Sistema Único de Saúde (SUS).
Além da presença de profissionais e palestrantes, o evento contou com a representação do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. João Carlos Magalhães, conselheiro do Crefito 2, fez uma fala institucional em que ressaltou o protagonismo histórico dessas profissões na saúde pública. "Nós devolvemos a dignidade a todos os pacientes", afirmou o conselheiro, reforçando a importância do olhar biopsicossocial aplicado pelas equipes no processo de reabilitação.
Um dos momentos mais marcantes do dia foi o lançamento da revista comemorativa "Tecendo no Tempo e Atravessando Memórias: Celebrando os 20 anos de Terapia Ocupacional no Hospital e 10 anos de Criação do Serviço". Apresentada pela terapeuta ocupacional Étila Almeida Lessa, a publicação funciona como um registro documental e afetivo da trajetória da profissão no HGB, consolidando as práticas, os projetos e a evolução da equipe ao longo de duas décadas.
A programação do evento explorou a intervenção desses profissionais em cenários de elevada complexidade. Andrea Alfradique da Fonseca, terapeuta ocupacional, compartilhou sua vasta experiência na reabilitação de pacientes submetidos a transplantes cardíacos. A profissional destacou a importância de resgatar a identidade ocupacional de quem aguarda um órgão e apresentou o uso da realidade virtual como uma ferramenta terapêutica inovadora para minimizar a ansiedade e o isolamento prolongado nas enfermarias.
No campo da fisioterapia, o pós-operatório de cirurgias cardíacas mereceu destaque por meio da apresentação de protocolos para uma recuperação rápida e segura. Os participantes debateram a relevância da extubação no tempo adequado e as evidências que apoiam a mobilização segura do paciente, desmistificando o repouso absoluto para prevenir complicações respiratórias frequentes.
Do cuidado neonatal aos cuidados paliativos
O ciclo de palestras se estendeu também às especificidades das idades extremas e dos diagnósticos ameaçadores da continuidade da vida. A terapeuta ocupacional Renata Sardenberg relembrou os desafios e as conquistas na pediatria do hospital, ressaltando a importância da Brinquedoteca e do atendimento lúdico para crianças com doenças crônicas e neurológicas. Já na Neonatologia, foram discutidas estratégias rigorosas de ventilação mecânica e o conceito de volume garantido, cruciais para a proteção cerebral de bebês prematuros e para a prevenção de hemorragias peri-intraventriculares na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A reabilitação paliativa foi outro pilar do evento, rompendo com o paradigma de que a abordagem se restringe aos últimos dias de vida. As discussões abordaram a necessidade de um rastreio precoce e rigoroso dos sintomas e a adaptação das atividades de vida diária, com o objetivo de preservar o conforto e o sentido de propósito do paciente.
O evento reforçou que, além do rigor técnico, a atuação da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional se baseia na comunicação eficaz, na humanização e no trabalho multidisciplinar, essenciais para transformar a realidade e a qualidade de vida dos usuários do SUS.
Créditos: Comunicação Social HGB/GHC