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22.10.2026

Terapia Ocupacional no SUS: encontro no GHC debate desafios e expansão da prática na Atenção Primária à Saúde

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Evento contou com convidadas especiais da área.
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Objetivo foi discutir a atuação da categoria e o cuidado integral.
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Profissionais acompanharam a programação de palestras.
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Equipe organizadora do evento.

Na manhã desta quinta-feira, 22 de outubro, o auditório do Centro de Oncologia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, sediou o encontro "Terapia Ocupacional na APS: práticas, território e produção de cuidado". A programação abordou os desafios e as possibilidades de ampliação dessa prática na Atenção Primária à Saúde (APS), com foco nas necessidades dos usuários e no trabalho em equipe.

A mesa de abertura reuniu Bruna Rodrigues Maziero, vice-presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Rio Grande do Sul (CREFITO-5), e Luciana Wertheimer, terapeuta ocupacional, docente da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), representante da Associação Brasileira de Terapeutas Ocupacionais (ABRATO) e representante brasileira na Comunidade Ibero-Americana do Modelo de Ocupação Humana.

Representando o GHC, Gerusa Bittencourt, gerente de Atenção Primária à Saúde, destacou a importância do trabalho multiprofissional e da ampliação da participação de diferentes profissões na saúde pública. "Por muitos anos, antes do nascimento do SUS, toda a estratégia de saúde pública era médico-centrada. E para mudar essa cultura, nós precisamos das outras profissões envolvidas. Quando nós incluímos a terapia ocupacional dentro da atenção primária, reforçamos esse papel da saúde como um direito, mas também de enxergar que a terapia ocupacional não é só para quem tem dinheiro, para quem tem plano, para quem consegue pagar uma clínica, mas que nós possamos ter isso no Sistema Único de Saúde."

Luciana Wertheimer abordou a inserção da categoria e a importância do reconhecimento social e político da profissão. "É muito gratificante ver um grupo de terapeutas ocupacionais atuantes, interessados, engajados, e mais do que ver esse grupo de terapeutas ocupacionais engajados, é ver a sociedade acolhendo esse serviço, que eu acho que é o reconhecimento social daquilo que nós fazemos, o reconhecimento daquilo que nós fazemos. Então, se uma instituição tão grande e representativa como o GHC entende que essa profissão promove saúde e bem-estar, é porque o que nós fizemos no passado está reverberando hoje."
Na sequência, Bruna Rodrigues Maziero ressaltou a expansão da atuação da categoria e a defesa de políticas públicas inclusivas. "Enquanto vice-presidente do CREFITO, nós temos trabalhado por todo o Rio Grande do Sul, feito um trabalho de interiorização. Por isso que nós ficamos muito felizes de chegar num lugar como o GHC, encontrar uma equipe que trabalha e que mostra exatamente o que a Terapia Ocupacional faz."

Papel da Terapia Ocupacional na saúde

A programação de palestras começou com o painel "O lugar da Terapia Ocupacional na APS: afinal, o que fazemos?". Conduzido por Melissa Sander, terapeuta ocupacional e coordenadora da Atenção Primária à Saúde do GHC, e por Luciana Wertheimer, o diálogo abordou como a atenção ao cotidiano, aos afetos e às rotinas das pessoas transforma o atendimento. Também destacou as particularidades da profissão e suas contribuições para o cuidado.

As palestrantes relacionaram teoria e prática para demonstrar como os terapeutas ocupacionais compreendem a saúde e constroem linhas de cuidado mais sensíveis e eficazes. Durante a apresentação, Luciana sintetizou a essência da profissão. “A ocupação humana é tudo aquilo que nós queremos fazer, precisamos fazer, ou que os outros queiram que nós façamos. Investigar essa relação da pessoa na ocupação e no ambiente é entender essa rotina, esses papéis, esses interesses, necessidades e significados. A ocupação é um direito humano fundamental e, num mundo com desigualdades crescentes, não é apenas um fazer, mas um direito para a dignidade, a saúde e a cidadania."

Território e cotidiano

As discussões prosseguiram com o painel "Território, cotidiano e vulnerabilidades: onde a TO encontra as pessoas". A atividade reuniu Laurem Aguiar, terapeuta ocupacional, mestra e doutora em Serviço Social pela PUCRS, docente e coordenadora do curso de TO da UFPel, e Rita Buttes, terapeuta ocupacional da Área Técnica de Saúde de Imigrantes, Refugiados e Apátridas da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMSPA).
As especialistas destacaram que a atuação no território exige ir além do espaço geográfico e compreender as complexidades sociais, as barreiras culturais e os contextos de vulnerabilidade. A partir de experiências com populações migrantes e grupos em situação de extrema vulnerabilidade, o debate evidenciou que o acolhimento qualificado nas ruas e nas comunidades pressupõe escuta ativa e superação de barreiras institucionais para garantir o acesso efetivo ao cuidado e à cidadania.

Laurem ressaltou a importância de enxergar a profissão para além das repetições mecânicas, enfatizando que a compreensão do cotidiano exige uma leitura crítica da realidade social. "O cotidiano é o espaço e o tempo onde a vida concreta acontece. Onde as repetições e as transformações se articulam, sendo a lente que liga esse cotidiano ao sistema, à história e à percepção do real."

Atuação prática

O terceiro e último painel, "Produção do cuidado e trabalho em equipe: a TO para além do atendimento individual", foi dedicado às experiências de trabalho coletivo. Integrantes do Núcleo de Terapeutas Ocupacionais da APS do GHC compartilharam vivências nas Unidades de Saúde. Por meio de relatos sobre interconsultas, visitas domiciliares e atividades em grupo, demonstraram como as ações compartilhadas fortalecem os vínculos com a comunidade e contribuem para a integralidade da assistência.

Na Atenção Primária do GHC, a Terapia Ocupacional promove a autonomia, a participação social e a qualidade de vida dos usuários. O atendimento inclui visitas domiciliares, grupos terapêuticos e apoio às equipes de Saúde da Família, com ações voltadas à saúde mental, à reabilitação para as atividades cotidianas e à adaptação dos ambientes. O serviço está presente nas Unidades de Saúde da instituição e também desenvolve atividades nas residências dos usuários, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e por meio do programa Consultório na Rua.

Ao final do encontro, participantes e palestrantes compartilharam perguntas e experiências em um debate aberto. A atividade reforçou a importância da Terapia Ocupacional na Atenção Primária e da atuação multiprofissional no SUS.

Créditos: Gabriel Amaral (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).