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20.10.2026

CAPSij Pandorga celebra 16 anos como referência de saúde mental infantojuvenil no Grupo Hospitalar Conceição

Unidade destaca a importância do cuidado especializado, da atuação em rede e do fortalecimento dos vínculos comunitários
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Atuação do CAPSij é marcada pelo cuidado, construção de vínculos comunitários e fortalecimento da autonomia dos pacientes.
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João Motta, Gerusa Bittencourt e Maria Luiza dos Santos.
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Trabalhadores relembraram trajetória do serviço.

Único serviço 100% SUS especializado no atendimento de crianças e adolescentes na zona norte de Porto Alegre, o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij) Pandorga celebrou, nesta terça-feira, 20 de outubro, 16 anos de atuação. Vinculado à Gerência de Atenção Primária à Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o serviço está localizado no bairro Cristo Redentor e é referência para a Região Distrital Norte/Eixo Baltazar. Ele atende a população de 0 a 18 anos com transtornos mentais graves e persistentes, além de jovens de até 16 anos com histórico de uso ou abuso de álcool e outras drogas. A trajetória do local é marcada pelo cuidado, pela construção de vínculos comunitários e pelo fortalecimento da autonomia dos pacientes.

Durante a cerimônia, o diretor administrativo e financeiro do GHC, João Constantino Pavani Motta, destacou a trajetória da unidade e a importância das políticas públicas de saúde mental para crianças e adolescentes.

"Vejam a diferença que 16 anos desse local faz na vida de dezenas de crianças e famílias. O fato de ser tão recente é muito importante para a gente lembrar que precisa seguir lutando para garantir a existência e a permanência, e em alguma medida até a resistência, no sentido de que haja uma política pública que olhe para a saúde mental das crianças e dos adolescentes."

Segundo a gerente de Atenção Primária à Saúde do GHC, Gerusa Bittencourt, o trabalho comunitário do CAPSij Pandorga exemplifica a atuação da instituição para além do ambiente hospitalar tradicional. Ao relacionar o aniversário do CAPSij às celebrações dos 70 anos do GHC, em 2026, ela destacou o compromisso da instituição com a oferta de cuidado em saúde mental próximo às comunidades atendidas.
"Essa comemoração dos 70 anos do GHC está sendo muito preciosa para a gerência de atenção primária. Quando falamos ‘grupo hospitalar’, as pessoas sempre pensam só nos hospitais. Então, demarcar aqui que, além dos hospitais, temos os CAPS e as unidades de saúde dentro do Grupo Hospitalar Conceição é muito importante. E que bom que a instituição assumiu esse compromisso de poder construir artesanalmente esse processo de cuidado para essas crianças, famílias, adolescentes e jovens."

Uma história construída a muitas mãos

A implantação do serviço teve início em 2010, atendendo a uma convocação do Ministério da Saúde para ampliar a rede pública de atenção à saúde mental. Na época, os profissionais participaram da busca por um espaço físico adequado e da construção de um modelo de acolhimento humanizado, voltado às necessidades da comunidade. A psicóloga Adriana Canto Goguercio, que atua na área de saúde mental desde 2003 e integra a equipe do CAPSij desde sua fundação, relembra a criação do serviço e a importância do cuidado em liberdade para o desenvolvimento da autonomia dos pacientes.

“A gente construiu esse serviço desde o início. Buscamos casas na região até encontrar este espaço onde estamos até hoje. É muito emocionante poder pensar nessa construção, do cuidado em liberdade, nessa aposta de trabalhar a autonomia das crianças e adolescentes para que eles conquistem seus espaços.”

O CAPSij Pandorga desenvolve atividades terapêuticas de acordo com as necessidades de cada paciente. O acompanhamento inclui atendimentos psicoterápicos individuais e em grupo, oficinas culturais e atividades de apoio social e lazer.

Trabalho em rede

Referência para a população da Zona Norte, o CAPSij Pandorga atua de forma integrada à rede de saúde e aos demais serviços do território. Atualmente, a unidade dá suporte e atua em parceria com 43 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e cerca de 200 escolas, acompanhando de forma direta, via matriciamento e regulação, 224 famílias. A enfermeira e coordenadora do serviço, Maria Luiza dos Santos, explica como a proximidade com a comunidade e as ações de busca ativa contribuem para a continuidade do acompanhamento.

“Nós somos o único CAPS da Infância e da Adolescência da Zona Norte de Porto Alegre. A família é muito próxima. Se percebemos que o usuário faltou às atividades, fazemos a busca ativa, vamos ao território entender o que está acontecendo. Por isso, esse trabalho em rede e junto às UBSs é fundamental: ele recebe o atendimento especializado, mas não deixa de pertencer ao seu território.”

Essa articulação contínua com a Atenção Primária fortalece tanto o acompanhamento quanto as ações preventivas nos bairros atendidos. O fortalecimento dos vínculos familiares também é um dos pilares do serviço. O trabalho inclui atendimentos individualizados, orientações em situações de crise e encontros em grupo, que promovem o acolhimento, a troca de experiências e a construção conjunta dos projetos terapêuticos.

A celebração reuniu trabalhadores do CAPSij e representantes da direção e das gerências do GHC. Entre os participantes estava a psicopedagoga Lisandra Alves Nascimento, que, assim como Adriana Canto Goguercio, integrou a equipe de fundação do serviço.

Créditos: Gabriel Dias (Texto). Tamires Rodrigues (Fotos).