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19.10.2026

De eventos extremos a distúrbios do sono, simpósio no GHC debate desafios da neuropsiquiatria

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Evento destacou a importância da atualização científica e da abordagem multidisciplinar na saúde mental no SUS.
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Diretores e gerente prestigiaram o encontro.
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Especialistas debateram sobre emergências socioambientais, neurociências e assistência médica.

Na sexta-feira 16 de outubro, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) realizou o 5º Simpósio de Neuropsiquiatria, reunindo especialistas em debates sobre emergências socioambientais, neurociências e assistência médica. Organizado no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo da instituição em Porto Alegre, o evento destacou a importância da atualização científica e da abordagem multidisciplinar na saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS).

Diagnóstico e tratamento de distúrbios do sono e o manejo de condutas complexas em psiquiatria hospitalar foram outros focos do encontro. Durante a mesa de abertura, o gerente de Internação do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Gabriel Hey, falou sobre os desafios globais do setor da saúde. “A mudança climática e as situações extremas têm se tornado regra. Eventos que buscam a divulgação desse cenário e políticas públicas voltadas à saúde mental são primordiais”, disse.

O diretor Administrativo e Financeiro do GHC, João Constantino Pavani Motta, enfatizou a necessidade de profissionais capacitados nos cuidados psiquiátricos e neurológicos. “Um sistema de saúde que consegue disponibilizar esse tipo de serviço para dar apoio aos pacientes é um sistema completo e que assume a dimensão humana.”

A diretora de Atenção à Saúde, Rosana Reis Nothen, participou do encontro reforçando o trabalho assistencial em meio às crises ecológicas. “É importante o fortalecimento técnico no atendimento para que o SUS seja sempre um esteio em relação às melhores práticas. É isto o que pretendemos: dar o contexto necessário dentro destes muros e discutir assuntos que impactam a sociedade”, comentou.

Variações de clima e reflexos psicológicos

A primeira conferência do simpósio focou nos eventos extremos e no desenvolvimento de transtornos psiquiátricos. O médico Paulo Henrique Gonçalves Dutra, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), apresentou a palestra “Saúde mental em tempos de mudança climática”, destacando os danos decorrentes de traumas coletivos, deslocamentos forçados e a ecoansiedade enfrentada pela população em cenários de crise.

Na fala do especialista, foi debatida a conexão entre as alterações ambientais e o impacto multifatorial no bem-estar. Dutra explicou que desastres, como as históricas enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, provocam um aumento significativo na prevalência de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

O palestrante ressaltou que os fenômenos afetam as pessoas de forma heterogênea, impossibilitando mensurar o alcance universal. Entretanto, de modo genérico, é possível observar que desempregados, estudantes e indivíduos em período de luto demonstram mais sintomas depressivos em situações do gênero.

Coordenando o simpósio pela quinta edição consecutiva, o psiquiatra do HNSC Pablo Merlo Medeiros reforçou a importância de debater a saúde pública a partir de perspectivas amplas, incluindo outras disciplinas e difundindo a multidisciplinaridade.

Influência do clima na sociedade

Outro painel teve como tema “Desastres socioambientais: a humanidade e a aceleração das mudanças climáticas”, organizado pelo climatologista Francisco Eliseu Aquino, professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foram listados dados recentes sobre o aquecimento global e os episódios severos que afetam o planeta, o Brasil e o Rio Grande do Sul.

Segundo Aquino, as anomalias ambientais contribuem para que a humanidade viva o período mais quente do século devido ao efeito estufa. Isso faz com que 3,6 bilhões de pessoas habitem áreas altamente suscetíveis, segundo cálculos do professor. "Os eventos extremos vão sempre gerar emergências humanitárias. Vemos que, nas últimas décadas, eles cresceram em intensidade e em frequência. E isso afeta diretamente bilhões de pessoas, principalmente nas ondas de calor associadas a estiagens”, disse.

Prática clínica: insônia e estudo de caso

O evento também abordou a rotina médica e diagnósticos específicos. O especialista em medicina do sono Fernando Stelzer, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), apresentou “Avaliação e tratamento da insônia”, detalhando fatores de risco, além de estratégias farmacológicas e intervenções não medicamentosas para a atuação em casos do gênero.

Encerrando a programação, Suely Garcia Suslik Svirski, médica e residente de Psiquiatria do HNSC, tratou do estudo “Lesão oral autoinfligida: relato de caso e dúvidas diagnósticas”. A sessão analisou a situação de uma paciente com impulsos involuntários que causavam ferimentos na boca e na língua, evoluindo de bruxismo à automordedura. O debate trouxe reflexões sobre a condução clínica, os desafios do diagnóstico diferencial e o manejo integrado de manifestações graves no ambiente em hospitais.

Créditos: Gabriel Dias (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).