As políticas de enfrentamento à fome, a agricultura familiar e a promoção de hábitos saudáveis estiveram em pauta nesta sexta-feira, 16 de outubro, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Durante a manhã, profissionais e representantes de organizações se reuniram no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo, para compartilhar conhecimentos e discutir métodos em uma atividade alusiva ao Dia Mundial da Alimentação.
A iniciativa debateu caminhos para garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), com foco no Programa Nacional de Cozinhas Solidárias, no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e nas experiências do Banco de Alimentos de Porto Alegre e da Associação Cozinha das Pretas. As discussões destacaram a articulação entre poder público e sociedade civil, além dos desafios para a continuidade dessas ações.
Atualmente, mais de 40% dos recursos destinados pelo Grupo à aquisição de mantimentos são direcionados a cooperativas, o que reforça a importância da agricultura familiar. "O poder de compra de uma instituição pública também pode ser utilizado para fortalecer a produção local e incentivar práticas socialmente responsáveis. Ao ampliar a participação das cooperativas no nosso abastecimento, contribuímos para gerar oportunidades aos produtores e movimentar uma cadeia que vai muito além do hospital", afirmou o diretor Administrativo e Financeiro do GHC, João Constantino Pavani Motta.
A relação entre nutrição, saúde e meio ambiente também foi apresentada a partir da experiência do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC). Nutricionista e coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética do HNSC, Marília Unello Garcez mostrou como a instituição modificou o cardápio, com adequações que envolvem desde a escolha dos ingredientes até o preparo das refeições. “A dieta hospitalar não começa na cozinha nem termina no prato. Ela envolve a escolha dos fornecedores, a forma como os insumos são feitos e a qualidade do que chega aos pacientes e trabalhadores. Por isso, entendemos que nossas decisões também podem contribuir para gerar benefícios que ultrapassam o ambiente hospitalar”, pontuou.
Desde 2023, o HNSC tem atuado para reformular os cardápios, com a redução de alimentos ultraprocessados e a ampliação do uso de ingredientes provenientes da agricultura familiar. Entre as adaptações estão a substituição de presunto e salsicha por preparações com frango e hambúrgueres caseiros, além da retirada da margarina e da maionese industrializada, que deram lugar a alternativas desenvolvidas pela própria equipe. No momento, a unidade trabalha com cerca de 6,3 mil agricultores locais.
A participação dos profissionais da cozinha nesse processo foi valorizada pela nutricionista, que ressaltou a importância de desenvolver receitas moldadas às necessidades do serviço de saúde. “Não se trata apenas de retirar determinados produtos, mas de encontrar alternativas que permitam oferecer uma dieta balanceada e diversificada. O conhecimento e a experiência da equipe são fundamentais para transformar diretrizes em refeições preparadas diariamente”, explicou Marília Unello Garcez.
Créditos: Gabriel Amaral (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).