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08.10.2026

Dor crônica, sexualidade e nutrição: ciclo de palestras no Hospital Conceição aborda desafios no pós-tratamento de câncer de mama

Evento que faz parte da programação do Outubro Rosa destacou o aumento no número de atendimentos e discutiu temas com o objetivo de promover o bem-estar e o acolhimento
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Camilla do Valle apresentou dados sobre a evolução do número de mulheres em primeira consulta.
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Evento reuniu funcionárias, pacientes e voluntárias no Auditório Jahyr Boeira de Almeida.
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A relação entre composição corporal, obesidade e consumo de álcool também esteve em pauta no encontro.
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Encenação "Síndrome da espada de Dâmocles".
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Organização e palestrantes do evento.

Temas que cercam as particularidades do câncer de mama estiveram em debate no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Porto Alegre, na tarde desta quarta-feira, 7 de outubro. Chamado de “Renascer em Rosa! Vida pós-tratamento”, o evento, que ocorreu no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, foi promovido pelo Serviço de Mastologia do HNSC e faz parte do ciclo de atividades do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) no Outubro Rosa, uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama.

O encontro da tarde reuniu trabalhadores, pacientes e voluntários para discutir os desafios físicos, emocionais e sociais enfrentados após a conclusão do tratamento oncológico. Durante a manhã, o hospital abriu as atividades do período com um evento que reuniu dança, atividades físicas e integração com usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A coordenadora do Serviço de Mastologia do HNSC, Camilla do Valle, apresentou dados sobre a evolução do número de mulheres em primeira consulta. Em 2025, o ambulatório atendeu, em média, 98 pessoas por mês nestas condições. Entre janeiro e agosto de 2026, esse número subiu 14,9%, chegando à marca de 108 novos atendimentos mensais.

Segundo a coordenadora, esse progresso se deu por meio de um esforço conjunto da equipe do setor. “Além dos nossos horários tradicionais, tivemos uma mobilização para realizar cirurgias em terceiros turnos nas quartas-feiras à noite e aos sábados. Assim, temos conseguido abraçar esse aumento de demanda de diagnóstico e de tratamento”, afirma Camilla do Valle.

Corpo e mente

Reumatologista do GHC, Bárbara Mendes da Silva abordou tópicos sobre o impacto da dor crônica, da artralgia e da fadiga na rotina pós-tratamento. A apresentação destacou a importância do suporte emocional para compreender a presença da dor na vida das pacientes, além de trazer estratégias para o alívio das dores articulares, reforçando o papel fundamental da atividade física orientada na recuperação da vitalidade e no combate ao cansaço crônico.

Na segunda exposição da tarde, o foco se voltou para a saúde sexual e para o manejo do impacto da ausência de fatores como o desejo e a autoidentificação após o tratamento da patologia. O debate, conduzido pela sexóloga Ana Lemes, trouxe orientações sobre disfunção sexual, desmistificando tabus e apresentando abordagens terapêuticas para minimizar sequelas emocionais na intimidade das mulheres.

“A mulher tem que dar conta das emoções e do próprio corpo, mas consegue receber carinho durante esse processo? Consegue dar e sentir prazer? O desejo, muitas vezes, é silenciado, situação na qual a paciente vai abandonando o seu lado feminino, inclusive nas questões sexuais. É importante habitar o próprio corpo, não apenas existir”, destaca a sexóloga.

Completando a sequência de palestras sobre bem-estar, a relação entre composição corporal, obesidade e consumo de álcool também esteve em pauta no encontro. Durante a participação da nutricionista Aline Kirjner Pozionyck, do Hospital Moinhos de Vento, foram analisados os impactos metabólicos desses fatores no organismo e de que maneira a mudança de hábitos de vida pode atuar na prevenção e na redução do risco de recidiva do câncer.

A especialista ressaltou como padrões e costumes locais deixam os pacientes mais suscetíveis à obesidade, o que pode agravar quadros de saúde. “Os gaúchos consomem mais gordura e embutidos, alimentando fatores de risco. Entendemos que existe uma sobrecarga calórica significativa. Não é apenas o churrasco, é a carne com a gordura e com a salada de batata, que se junta com o vinho e com a cerveja; trata-se de uma sobrecarga grande. A ingestão alcoólica acaba sendo um propulsor da obesidade”, relata Aline.

Saúde mental e rede de apoio

O encerramento do ciclo de palestras abordou a saúde mental durante o tratamento. A rodada de conversas sobre o assunto foi aberta pelo Instituto Camaleão. Representado pela presidente Flávia Maoli Magalhães de Oliveira, o instituto, parceiro do GHC, atua no acolhimento de mulheres em recuperação, com o objetivo de apoiar as pacientes durante todas as etapas. Flávia disse ter criado o projeto para auxiliar mulheres que enfrentam o processo de aceitação e superação da doença, promovendo um ambiente acolhedor.

Por fim, a discussão, conduzida pela psicóloga do GHC Eliana Bender, aprofundou os aspectos clínicos e psicológicos do medo do reaparecimento do câncer. O painel abordou ferramentas para o manejo da ansiedade de controle e os caminhos para uma reinserção profissional segura e humanizada, além de enfatizar a importância da transição do cuidado entre os serviços especializados de oncologia e a atenção primária à saúde.

O encontro contou com depoimentos da plateia e foi encerrado com ênfase na relevância da manutenção do diálogo contínuo e da assistência multidisciplinar, consolidando o evento como uma união de áreas da saúde em prol da conscientização e da prevenção.

Créditos: Gabriel Dias (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).