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02.10.2026

Desafio para a saúde pública, meningite atinge todas as idades e pode levar pacientes à morte

Manter o calendário vacinal em dia é o principal meio de se proteger contra a inflamação

“Um grande desafio global para a saúde pública”. Assim a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a meningite, inflamação que atinge pessoas de todas as idades, pode deixar sequelas e levar à morte nos casos mais graves. Para conscientizar sobre o assunto, 5 de outubro foi adotado como o Dia Mundial de Combate à Meningite.

O objetivo é informar sobre sinais e sintomas, as vacinas disponíveis e iniciativas para reduzir o número de casos. Segundo o Ministério da Saúde (MS), a meningite é endêmica no Brasil, com registros ao longo de todo o ano.

Cálculos da OMS indicam que a inflamação causa, em média, 250 mil mortes anuais em diferentes países. "Apesar dos progressos significativos nas últimas décadas, a meningite continua sendo uma doença muito temida em todo o mundo, com alta taxa de mortalidade e propensão a causar epidemias que representam um grande obstáculo para os sistemas de saúde, as economias e a sociedade", diz o relatório "Derrotando a meningite até 2030", da entidade global.

O que é

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o sistema nervoso central (o cérebro e a medula espinhal). Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e, com menos frequência, parasitas. Também pode ocorrer por condições não infecciosas, como doenças inflamatórias, traumas ou reações a medicamentos. A gravidade depende do agente causador. A meningite viral é a forma mais comum e costuma ser mais leve, com melhora espontânea na maioria dos casos.

“A meningite é uma condição clínica grave. A bacteriana tende a ser mais grave, o que faz com que as ações de controle devam ser tomadas o mais precocemente possível, com uso de antimicrobianos, cujo objetivo é controlar a inflamação e diminuir o dano”, resume André Luiz Machado, coordenador do Serviço de Infectologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC).

A meningite pode ser causada por bactérias como o meningococo, o pneumococo, o Haemophilus influenzae e o estreptococo do grupo B, além de vírus como os enterovírus (Coxsackie e echovírus), os herpesvírus e os vírus da caxumba e do sarampo.

Como identificar

Os sintomas podem variar conforme o agente causador. Os mais frequentes incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada/inchada. Sinais de gravidade incluem confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.

“O que diferencia a meningite de uma gripe ou virose comum da infância é que, além da febre, há um conjunto de sintomas, como dor de cabeça intensa, sonolência e vômitos. Nas crianças pequenas, pode ocorrer irritabilidade intensa e a fontanela (moleira), quando ainda aberta, pode ficar inchada. Em um tipo de meningite bacteriana, podem também aparecer pequenas manchas roxas pelo corpo, que lembram um derramamento de sangue”, explica Bárbara Simionato, infectologista pediátrica e responsável técnica pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Criança Conceição (HCC).

Segundo a médica, em caso de suspeita de meningite, deve-se procurar ajuda especializada o quanto antes, de preferência em uma unidade de pronto-atendimento ou emergência pediátrica.

Sequelas

Conforme dados da OMS e do Ministério da Saúde, 20% das pessoas que sobrevivem à meningite bacteriana desenvolvem sequelas graves. A perda auditiva é uma das consequências mais frequentes. Danos neurológicos permanentes, comprometimento da circulação sanguínea e necessidade de amputações de membros estão entre outras sequelas comumente verificadas. Além disso, no Brasil, a taxa de letalidade média da meningite bacteriana varia entre 20% e 30%, sendo mais elevada em crianças menores de cinco anos e idosos, conforme o MS.

“A meningite pode levar ao óbito se não for prontamente diagnosticada. Isso porque a inflamação provocada causa danos cerebrais que levam a uma infecção grave”, acrescenta o infectologista André Luiz Machado.

Transmissão e prevenção

As meningites bacterianas e virais são geralmente transmitidas de pessoa para pessoa por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias (fala, tosse, espirro). Porém, os agentes causadores da inflamação também podem ser transmitidos por via fecal-oral ou por meio de água ou alimentos contaminados.

As meningites fúngicas e parasitárias não são transmitidas de pessoa para pessoa: geralmente os fungos são adquiridos por meio da inalação dos esporos (pequenos pedaços de fungos) que entram nos pulmões e podem chegar até as meninges. Já os parasitas infectam as pessoas pela ingestão de alimentos contaminados com a forma ou fase infecciosa do parasita. O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica e de exames laboratoriais.

“Para evitar a meningite, a principal medida é manter a vacinação em dia, em especial a vacina BCG, as meningocócicas C e ACWY, além da pneumocócica 20, todas disponíveis na rede básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Também está disponível no mercado a vacina meningocócica B em clínicas de vacinação na rede privada. Além disso, em caso de contato com paciente com quadro de meningite bacteriana, é importante reportar o caso à vigilância sanitária”, finaliza Bárbara Simionato.

Créditos: Vinicius Coimbra (Texto).