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21.09.2026

“Ato supremo de solidariedade”: simpósio no GHC discute importância e desafios da doação de órgãos e tecidos para transplantes

Com participação de especialistas e convidados, evento integra o Setembro Verde e promove conscientização e diálogo sobre o tema
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O evento foi organizado pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do GHC, vinculada ao Hospital Cristo Redentor (HCR).
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Mesa de abertura reuniu a diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Reis Nothen, o diretor administrativo e financeiro, João Constantino Pavani Motta, a gerente das unidades de internação do HCR, Fernanda Zanoto Kraemer, e o médico responsável pela e-DOT, Osmar Colleoni.
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Público acompanhou as diferentes palestras do simpósio.

A doação de órgãos e tecidos representa um ato de solidariedade fundamental para garantir a reabilitação e a continuidade da vida de inúmeros pacientes no Brasil. Para debater os desafios, as inovações técnicas e o acolhimento humanizado nesse processo, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) promoveu, na manhã de segunda-feira, 21 de setembro, o 3º Simpósio sobre Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo da instituição, em Porto Alegre.

O evento foi organizado pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do GHC, vinculada ao Hospital Cristo Redentor (HCR). Além da troca de conhecimentos e experiências, a atividade marcou as ações institucionais referentes ao Setembro Verde, mês de conscientização dedicado a incentivar a doação de órgãos e tecidos para transplantes.

Rosana Reis Nothen, diretora de Atenção à Saúde do GHC, foi a primeira a palestrar no evento e apresentou um panorama dos transplantes no Brasil. Ela destacou o processo e o suporte integral do Sistema Único de Saúde (SUS), que financia 100% dos procedimentos, exames preparatórios e medicamentos imunossupressores.

"A doação de órgãos e tecidos representa um ato supremo de solidariedade e a principal esperança de vida para milhares de pacientes que aguardam na fila por um transplante. A efetivação de uma cultura de doação depende diretamente de um diálogo aberto e sereno no âmbito familiar, permitindo que o desejo do doador seja conhecido e respeitado”, comentou a diretora.

Relatos de pacientes

O evento teve a participação de transplantados, que contaram suas trajetórias, rotinas e mudanças de hábitos depois do procedimento. Adriana Teles, que há sete anos passou por um transplante renal, relatou que se preparava para ir morar no exterior quando, ao realizar exames médicos de rotina para obtenção do visto, descobriu que sua função renal estava reduzida a 30%. O diagnóstico revelou uma doença renal crônica de caráter genético.

Após 10 meses de tratamento dialítico e inscrita na lista de transplantes, Adriana foi transplantada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Hoje, recuperada, atua como ativista voluntária da causa de doação de órgãos e é atleta transplantada.

“Acredito que não é só falar 'doe órgãos, salve vidas', mas precisamos mostrar o que há por trás de todo esse trabalho: os profissionais de saúde que atuam para que o seu transplante aconteça”, disse durante sua participação.

Acolhimento familiar como pilar fundamental

Glauco Adrieno Westphal, médico do Comitê de Doação de Órgãos da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), abordou os fatores associados à recusa familiar para a doação de órgãos, a principal barreira para a efetivação dos transplantes. Atualmente, no Brasil, a doação só pode ocorrer se familiares concordarem. Sinalizar em vida ou deixar registrado em cartório o desejo de doar não são ações válidas perante a lei brasileira. Ele destacou que o problema não reside na falta de solidariedade das famílias, mas na eficiência do acolhimento e da entrevista conduzidos pelos profissionais de saúde.

“A autorização familiar começa antes da entrevista e está condicionada à maneira como conduzimos o atendimento após a morte. Solicitar a doação logo depois da comunicação do óbito, especialmente quando essa comunicação vem de uma forma quase inesperada, cria uma sensação de urgência. Por isso, é comum a família dizer que teria sido útil receber suporte, aconselhamento e mais tempo, pois não estava apta para decidir no momento de dor aguda”, disse.

Rogério Caruso Bezerra, coordenador da Central Estadual de Transplantes do Rio Grande do Sul (CET-RS), apresentou dados do cenário atual, resultados e oportunidades na doação de órgãos e tecidos na rede pública do Estado.
Segundo ele, entre janeiro e setembro de 2026, os hospitais administrados pelo GHC lideraram as notificações de mortes encefálicas no Estado, com 47 casos. Além disso, no mesmo período, o complexo hospitalar teve uma taxa de efetivação de doação de órgãos e tecidos de 46,8%, percentual acima da média estadual, que é de 32,9%.

"Ter uma taxa de efetivação acima da média não é uma coisa fácil. É sinal da sensibilidade das pessoas, do treinamento e da dedicação da equipe ao trabalho da doação de órgãos”, pontuou.

Outros assuntos

O simpósio teve também a participação da médica Carla Bittencourt Rynkowski, do HCR, que conduziu a palestra "Quando o Doppler transcraniano falha: limitações e armadilhas no diagnóstico de morte encefálica". Outra conversa versou sobre o tema "O potencial doador com infecção: contraindicação real ou oportunidade perdida?", com a participação de Rafael Ramon da Rosa, que atua na Organização de Procura de Órgãos (OPO) 2, do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

A programação ainda contou com a apresentação "Além da morte encefálica: o potencial da doação de córneas após a parada circulatória", ministrada por Carla Zanatelli, do banco de tecidos oculares do HCPA. Já o médico José Luis Toribio Cuadra, do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), detalhou as particularidades de construir uma cultura hospitalar de doação.

Também participaram do evento o diretor administrativo e financeiro do GHC, João Constantino Pavani Motta, a gerente das unidades de internação do HCR, Fernanda Zanoto Kraemer, e Osmar Colleoni, médico responsável pela e-DOT.

Créditos: Vinícius Coimbra (texto). João Gabriel Lopes (fotos).