Os impactos das crises climáticas, dos movimentos migratórios e das transformações nas políticas públicas estiveram no centro dos debates realizados nesta quinta-feira, 17 de setembro, na Escola GHC, durante a programação que reúne instituições de ensino e pesquisa do Brasil e da Itália. As atividades aproximaram pesquisadores e representantes de diferentes localidades para discutir como a produção de conhecimento e a articulação entre territórios podem contribuir para o enfrentamento de questões que afetam a saúde pública.
Para o gerente de Ensino e Pesquisa do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Alcindo Antônio Ferla, fenômenos como as emergências climáticas exigem a integração de diferentes áreas do conhecimento e realidades sociais. “Os desafios que estamos vivendo não se limitam a um território ou a uma instituição. A cooperação permite aproximar experiências, produzir conhecimento de forma compartilhada e pensar caminhos que considerem as necessidades das populações e o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde”, destacou.
A atividade também abriu espaço para a apresentação de iniciativas desenvolvidas pelas universidades participantes. Entre os trabalhos apresentados, o professor Emerson Merhy destacou pesquisas relacionadas às estratégias de produção de cuidado junto a populações indígenas e à comunidade LGBTQIAPN+, com pesquisadores pertencentes a esses próprios coletivos, além de estudos que relacionam arte, cultura e saúde.
Experiências relacionadas a populações em situação de vulnerabilidade, saúde mental, trabalhadores rurais e pessoas com condições crônicas foram apresentadas pela diretora do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maria Denise Schimith. Já Nancyleni Bezerra, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), ressaltou a atuação dos programas de pós-graduação, mestrado e doutorado da instituição e iniciativas voltadas à população quilombola.
Representando a Universidade de Parma, o professor Andrea Cilioni reforçou que a aproximação amplia as possibilidades de intercâmbio para além do ambiente acadêmico. “Este é um momento importante para todo o ecossistema de cooperação em saúde. Essa relação não envolve apenas as universidades, mas também os territórios e as comunidades onde elas estão inseridas, permitindo que o conhecimento produzido em conjunto esteja conectado às necessidades das populações”, afirmou.
Pela manhã, a programação contou ainda com debate dedicado aos impactos da judicialização sobre as políticas sociais e aos desafios para a garantia da universalidade dos sistemas públicos. Também participou do evento a coordenadora da Associação Rede Unida, Maria Augusta Nicoli. As atividades integram o ciclo internacional que reúne o GHC, por meio da Gerência de Ensino e Pesquisa, o Ministério da Saúde, a Universidade de Parma, a Associação Rede Unida e universidades brasileiras. A iniciativa busca fortalecer vínculos permanentes entre os participantes e ampliar projetos conjuntos de ensino, pesquisa e formação.
Créditos: Gabriel Amaral (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).