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01.09.2026

HGB inaugura sala Re-Humam com homenagem a uma mulher símbolo de Manguinhos, Celeste Estrela

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Banco Vermelho também foi inaugurado no HGB, localizado na praça do pátio central do hospital.
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Gestores do GHC e HGB e representantes de diversos segmentos da sociedade participaram da solenidade.
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Auditório do hospital lotou para o ato inaugural.
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Sala da Re-Humam tem a imagem de Celeste Estrela.

O Hospital Geral de Bonsucesso inaugurou, do dia 27 de agosto, a sala Re-Humam - Rede GHC de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência – com o propósito de fortalecer práticas humanizadas nas unidades do GHC, articulando equipes internas de cuidado e atendimento e contribuindo para políticas mais amplas de apoio e enfrentamento à violência contra as mulheres. A iniciativa, que já existe no Rio Grande do Sul desde 2024, chega ao Bonsucesso sob coordenação da assistente social Maria Fernanda Rosa dos Santos. O evento prestou uma linda homenagem à multiartista Celeste Estrela, moradora da Comunidade de Manguinhos e símbolo da luta pelos direitos das mulheres.

Gerente-geral do Hospital Geral de Bonsucesso, João Goulart abriu a celebração agradecendo à diretoria do Grupo Hospitalar Conceição por trazer a Re-Humam para o HGB. Para ele, o serviço é estratégico para o sistema de saúde com coração e com sentimento de justiça social. João Goulart citou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mostram que houve um aumento dos casos de violência contra a mulher e de feminicídios, no Brasil. E lembrou que os crimes são praticados, em sua maioria, por parceiros ou ex-parceiros. “Isso demonstra que o ambiente doméstico ainda representa o principal local de risco. Além disso, o recorte racial e socioeconômico exige extrema atenção. A maioria das vítimas é composta por mulheres negras e mulheres que dispõem de menos recursos. Diante desse cenário, reafirmamos o compromisso do nosso hospital e do Grupo Hospitalar Conceição com a prestação de uma assistência digna e humanizada às mulheres em situação de violência, garantindo acolhimento, privacidade e segurança”, enfatizou Goulart.

Assistente social e servidora do Hospital Geral de Bonsucesso Maria Fernanda Rosa dos Santos passou por diversos setores da unidade de saúde e agora assume um local que parecia estar sendo guardado para ela: ajudar mulheres vítimas de violência em um hospital localizado onde foi nascida e criada. “Eu aceitei esse desafio, sabendo que era um desafio difícil. Muitas pessoas viravam para mim e falavam: ‘é um tema pesado’. Sim, é um tema pesado, mas é um tema que a gente precisa enfrentar juntos, mover as estruturas, porque é pesado para quem vive a violência, é pesado para essas mulheres que vivem com medo, ameaçadas, é pesado para essas crianças que veem as suas mães sendo assassinadas, têm que ficar ao lado do corpo enquanto o socorro não chega. É pesado para essa população. E a gente precisa mobilizar a energia, a força, o fluxo que for necessário para tirar esse peso das costas de quem carrega, que são as mulheres”.

Diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, abriu a sua fala cumprimentando a mesa a partir da homenageada do dia, Celeste Estrela. Para a diretora, a forma como Celeste ressignificou a sua jornada de vida a partir da arte, deve servir de ensinamento. “A gente precisa, homens e mulheres, no dia a dia, a partir das nossas implicações, das nossas posturas, ir vencendo uma cultura, e construir uma possibilidade de homens e mulheres serem iguais. Eu não posso deixar de ser o que eu quero ser por causa da minha pele ou porque eu sou mulher. Por isso, a gente precisa de políticas públicas, Estado forte e de pessoas que pensem e que estejam do lado disso. Mas eu, como mulher, como cidadã, eu preciso também pensar que implicação eu tenho nesse processo de reproduzir essa sociedade”, disse Quelen.

Coordenadora da Re-Humam no Grupo Hospitalar Conceição, Débora Abel, disse que o momento representa muito mais que a inauguração de um novo espaço. “Hoje, estamos ampliando uma rede de cuidado, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres. E para nós, inaugurar a Re-Humam no Hospital Geral de Bonsucesso significa reafirmar uma convicção que orienta o nosso trabalho. O SUS tem papel fundamental na proteção das mulheres e na construção de caminhos para superar a violência. Cuidar da saúde também significa estar atento às violências. Muitas vezes, é na saúde que essa mulher chega primeiro”, falou Débora.

Rosana Reis Nothen, diretora de Atenção à Saúde do Grupo Hospitalar Conceição, relembrou a época quando trabalhou como legista, para contar os episódios de violência que ela teve que relatar ao examinar os corpos de mulheres já mortas. “A gente (mulheres) tem que se manifestar em cada espaço que possibilidade de falar, porque a gente tem muito para conquistar. Para uma pessoa que foi criança na década de 60, adolescente na década de 70, que vimos as feministas queimando os sutiãs, vimos os movimentos de 68, na França, brigando pelas democracias, a gente jamais pensou na vida, que ia estar em um momento em que em um único mês, se matassem 10 mulheres no Rio Grande do Sul por conta de feminicídio. A gente nunca pensou que haveria movimentos para que a gente não votasse mais ou que a mulher que não tivesse um homem ao lado, não existiria. Não é banal o que a gente está passando, a gente tem que lembrar disso todos os dias, por isso, que temos de garantir o nosso espaço de fala”, disse Rosana.

A grande estrela e homenageada do dia foi Celeste Estrela, referência artística da Comunidade de Manguinhos. Autora dos livros “Coroação Preta” e “Celeste”, a artista saiu de Minas Gerais, ainda na infância, e veio para o Rio de Janeiro aos 13 anos em busca da mãe. Seus livros são lidos nas escolas da comunidade. Em 2022, fez parte do documentário “Manas” e, em 2025, um filme sobre sua história, chamado ‘Atrás não é mais o meu lugar”, foi lançado.

Em suas obras, a violência e o racismo transformam-se em reflexão e questionamento, enquanto sua história e sua identidade reafirmam a força da palavra, da memória e da resistência. Por isso, a sala de acolhimento da Re-Humam, no HGB, foi inspirada na história de vida de Celeste, que não conseguiu conter a emoção com a homenagem recebida: “Eu já recebi muitas homenagens, mas igual a essa aqui, é uma emoção. Foi muito bom”, disse Celeste após uma cerimônia em que o auditório do Prédio 2 do hospital ficou lotado.

Depois da celebração, os convidados ainda foram até ao andar térreo do hospital para a abertura oficial da sala da Re-Humam HGB. O local tem um mural na parede com a foto de Celeste e está pronto para apoiar mulheres que procurarem atendimento no hospital e que estiverem vivenciando situações de violência.

Para fechar o evento, também foi inaugurado o Banco Vermelho, na Praça da Liberdade, que fica no pátio central do Bonsucesso. O Banco Vermelho é um dos símbolos da mobilização pelo enfrentamento ao feminicídio. Sua presença nos espaços públicos simboliza os lugares que ficaram vazios depois da morte de mulheres vítimas de feminicídio, e nos convida à reflexão, à memória e, sobretudo, à prevenção. Os bancos também trazem mensagens de conscientização e informações sobre os canais oficiais de denúncia e enfrentamento à violência. Mais do que um objeto instalado em uma praça, o banco vermelho representa um compromisso: não naturalizar a violência, não silenciar diante dela e fortalecer as redes de proteção às mulheres.

Créditos: Comunicação Social HGB/GHC