A violência contra a mulher muitas vezes começa antes da agressão física, em comportamentos e situações que precisam ser reconhecidas e enfrentadas. “A relação abusiva de hoje pode ser o feminicídio de amanhã.” A mensagem agora faz parte do cotidiano de quem circula pela Escola GHC, que recebeu, nesta segunda-feira, 17 de agosto, o 12º Banco Vermelho instalado nas unidades do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
A mobilização também ultrapassou os espaços do GHC. Em razão da parceria entre a Escola GHC e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), outro Banco Vermelho foi instalado no Campus Zona Norte, reforçando o tema no ambiente de formação dos primeiros estudantes da nova unidade. Cada banco recebe uma mensagem de conscientização sobre o tema, transformando o espaço em um ponto permanente de reflexão e alerta.
Para a vice-diretora da Escola GHC, Sandra Fagundes, a presença do banco em um espaço de ensino também reforça a necessidade de incorporar o debate à formação e às relações cotidianas. “É um tema duro e difícil, mas que precisa ser falado. Buscamos na Escola trabalhar a transversalidade, trazendo esses assuntos de impacto social, justamente para buscarmos uma mudança civilizatória e nas relações de gênero, para que nenhum tipo de assédio e violência seja tolerado. É muito mais que um banco, é um símbolo para que sempre falemos sobre este assunto”, destacou.
Formação técnica e humana
No IFRS – Campus Zona Norte, a instalação ocorreu em um momento simbólico para a instituição, que iniciou em 2026 as atividades de sua primeira turma do curso Técnico em Enfermagem. O Campus integra a parceria construída entre o IFRS e o GHC para ampliar a formação profissional, especialmente na área da saúde. Para a diretora de Ensino do IFRS – Campus Zona Norte, Cristiane Esteves Dalla Costa, abordar o combate à violência desde o processo formativo é fundamental para preparar estudantes que futuramente poderão atuar diretamente no cuidado à população.
“Fazer essa inauguração junto com a nossa primeira turma é muito importante para que os nossos alunos entendam que a formação deles, além de técnica, precisa ser humana. Ainda mais porque sabemos que, muitas vezes, sinais de violência doméstica aparecem durante o atendimento em saúde. Precisamos de espaços como este para refletir sobre as atitudes e os comportamentos que, à primeira vista, podem parecer inofensivos, mas acabam desencadeando situações de violência”, completou.
A atividade também contou com a participação do médico sanitarista e pesquisador Emerson Merhy, que conduziu uma reflexão sobre a complexidade do feminicídio e sobre como a violência pode se manifestar em diferentes dimensões da vida cotidiana. A discussão abordou ainda a importância de reconhecer essas situações e da existência de políticas públicas capazes de atuar na prevenção e no enfrentamento à violência.
Um símbolo que ocupa os espaços
O Banco Vermelho é uma intervenção urbana de enfrentamento à violência contra a mulher que surgiu na Itália em 2016. A proposta se espalhou por outros países utilizando bancos instalados em espaços públicos e de grande circulação como pontos permanentes de memória, conscientização e alerta sobre a violência de gênero e o feminicídio.
No GHC, a proposta é levar os Bancos Vermelhos a todas as unidades do Grupo, fazendo com que o tema esteja presente não apenas em atividades ou datas específicas, mas no dia a dia de trabalhadores, estudantes, pacientes, familiares e demais pessoas que circulam pelos serviços.
Créditos: Gabriel Amaral (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).