A amamentação como forma de cuidado, vínculo e promoção da saúde dos recém-nascidos esteve no centro de uma palestra realizada na manhã desta sexta-feira (7), no Hospital Fêmina, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Promovido em alusão ao Agosto Dourado, mês dedicado à promoção e ao incentivo ao aleitamento materno, o encontro reuniu profissionais e mães doadoras de leite.
A programação trouxe para o debate não apenas os benefícios do leite humano, mas também os desafios enfrentados pelas famílias, especialmente diante de um nascimento prematuro. A atividade contou com palestra de Simone Saldibia, da ONG Prematuridade, e com relatos de profissionais e de doadoras.
Simone chamou a atenção para o cenário da prematuridade e para a necessidade de que o cuidado não se limite ao período de internação. Segundo os dados apresentados por ela, cerca de 12% dos nascimentos no Brasil são prematuros, índice que chega a aproximadamente 12,5% no Rio Grande do Sul. Bebês que nascem antes do tempo podem enfrentar dificuldades respiratórias e nutricionais, além de maior vulnerabilidade a doenças, exigindo acompanhamento especializado e interdisciplinar.
Para Simone, a assistência também passa pela forma como os serviços acolhem mães e famílias durante um momento de grande vulnerabilidade. “O leite humano é o único alimento produzido especialmente para aquele indivíduo. Ele não apenas nutre, mas promove saúde e melhor qualidade de vida. Por isso, o trabalho dentro das maternidades precisa envolver escuta, apoio e acompanhamento das famílias, desde a internação até o pós-alta”, afirmou Simone.
Da experiência profissional à decisão de doar
A palestra também aproximou o tema da experiência concreta de quem faz a doação chegar aos bebês. Nutricionista e doadora de leite humano, Cristiane Meleri já conhecia profissionalmente a atuação dos Bancos de Leite quando teve sua primeira filha. Na maternidade, porém, passou a vivenciar a amamentação sob uma nova perspectiva. Diante da hiperlactação, encontrou na doação uma forma de destinar o leite excedente a outras crianças.
No início deste ano, com o nascimento da segunda filha, atualmente com sete meses, Cristiane não teve dúvidas de que voltaria a doar. “Sempre fui militante dessa causa e conhecedora da importância da doação. O amor que sinto no momento da coleta, sabendo que aquele leite vai chegar até um bebê que não consegue recebê-lo da própria mãe, não me deixa parar. Pensar naquele pequeno ser que precisa do leite materno me dá ainda mais confiança para continuar. Além de ser um gesto lindo, a doação de leite salva vidas”, contou.
Um trabalho que acontece durante todo o ano
Para quem atua diretamente no serviço, o Agosto Dourado amplia a visibilidade de uma mobilização que faz parte da rotina durante os 12 meses do ano. A nutricionista do Banco de Leite Humano do Hospital Fêmina Ângela Beatriz Feix destacou que incentivar a amamentação também significa compreender as necessidades de cada mulher, sem reduzir o cuidado a uma única orientação ou experiência. Ela também reforça que o leite humano doado tem importância especial para recém-nascidos prematuros, com baixo peso ou internados em unidades neonatais. Além do aporte nutricional, contribui para a proteção contra infecções e para a recuperação dos bebês.
“Todos nós que trabalhamos dentro desse universo mãe-bebê fazemos o Agosto Dourado todos os dias. Precisamos estar disponíveis para escutar as mulheres que nos procuram, oferecer ajuda e estimulá-las. Também é fundamental agradecer às nossas doadoras e valorizar o trabalho do Banco de Leite, que conta com profissionais muito dedicados e presta um serviço fundamental para toda a sociedade”.
Além da atenção aos bebês das UTIs neonatais do Hospital Fêmina e do Hospital Criança Conceição que necessitam das doações, o Banco de Leite Humano presta assistência a mulheres com dificuldades para amamentar, incluindo situações como fissuras mamilares, ingurgitamento e mastite, além de oferecer orientações sobre aleitamento materno. A atuação é realizada por equipe multidisciplinar e integra a rede de cuidado materno-infantil da instituição.
O trabalho desenvolvido pelo Banco de Leite também contribui para ampliar a segurança e a confiança das mulheres durante o processo de amamentação, oferecendo suporte diante das dúvidas e dificuldades que podem surgir nesse período. A orientação adequada e o acompanhamento especializado ajudam a fortalecer o aleitamento materno e a garantir melhores condições de saúde e desenvolvimento para os recém-nascidos.
Como doar leite humano
Mulheres saudáveis que estejam amamentando, tenham produção excedente de leite, não fumem e possuam exames de pré-natal dos últimos seis meses podem entrar em contato com o Banco de Leite Humano para receber orientações sobre a doação. O serviço realiza a coleta do leite na residência da doadora. O Banco de Leite funciona no Hospital Fêmina, na Rua Mostardeiro, 17, em Porto Alegre, e pode ser contatado pelos telefones (51) 3314-5362 e (51) 3314-5353.
Créditos: Gabriel Amaral (texto). João Gabriel Lopes (fotos).