O Hospital Cristo Redentor (HCR) promoveu, nesse domingo, 31 de maio, uma ação alusiva ao Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, celebrado em 6 de junho, e à campanha Junho Laranja, voltada à prevenção e à conscientização sobre esses acidentes. A atividade foi realizada no Parque Farroupilha (Redenção). A proposta foi orientar o público sobre prevenção, primeiros socorros e riscos relacionados às queimaduras, além de destacar o trabalho desenvolvido pelo hospital nesses atendimentos.
Referência estadual no tratamento de queimados graves, o HCR realiza mensalmente, em média, 30 intervenções cirúrgicas e cerca de dez procedimentos voltados ao tratamento de sequelas. A instituição possui uma unidade de enfermaria exclusiva para esses casos e uma UTI com 29 leitos dedicada a vítimas de trauma em geral, incluindo lesões térmicas graves.
Segundo o chefe da Cirurgia Plástica do HCR, Diego Dullius, o atendimento ao queimado exige estrutura especializada e atuação envolvendo diversas áreas. “As lesões térmicas graves vão muito além de um ferimento na pele. São traumas complexos que, dependendo da extensão e da profundidade, podem comprometer diferentes sistemas do organismo e exigir internações prolongadas, atendimento especializado, estrutura adequada e atuação multidisciplinar desde os primeiros momentos”.
Dullius ainda destaca que as principais causas das queimaduras são acidentes domésticos. “Estudos indicam que entre 67% e 77% dos casos acontecem em ambiente domiciliar, com os principais cenários sendo líquidos quentes e óleo, álcool, eletricidade e fogo. Em caso de algum incidente que gere lesão térmica, a primeira medida indicada, antes mesmo do deslocamento ao hospital, é colocar a área queimada em água fria corrente, de torneira ou chuveiro, para resfriar a pele e conter a progressão da lesão. Soluções caseiras, como creme dental, pó de café ou outras substâncias, não devem ser usadas”, reforça.
Gravidade varia conforme profundidade e área atingida
As lesões térmicas são classificadas conforme a profundidade do dano provocado na pele. As de primeiro grau atingem apenas a camada mais superficial, a epiderme, e causam vermelhidão, ardência e sensibilidade intensa, como no caso das queimaduras solares. Na maioria das situações, não há necessidade de internação e o cuidado envolve hidratação da pele, reposição de líquidos e controle da dor.
Já as queimaduras de segundo grau afetam parte da derme, normalmente com formação de bolhas e áreas rosadas ou esbranquiçadas. Dependendo da extensão da lesão, o quadro pode exigir procedimentos cirúrgicos, como desbridamento (retirada do tecido lesionado) e enxertia de pele. Nos casos de terceiro grau, há comprometimento de todas as camadas da pele, com aspecto endurecido e escurecido. Apesar da gravidade, esse tipo de trauma pode provocar pouca dor, devido à destruição das terminações nervosas. O tratamento, nesses casos, é sempre cirúrgico.
Uma referência das equipes médicas para considerar a gravidade das lesões é utilizar a palma da mão do próprio paciente como equivalente a cerca de 1% da superfície corporal em adultos. Em geral, necessitam avaliação especializada adultos com queimaduras de segundo grau que atinjam mais de 10% da superfície corporal, além de qualquer lesão extensa de terceiro grau. Entre crianças, idosos e pessoas com doenças graves associadas, o risco é maior e o encaminhamento especializado costuma ser indicado já em casos envolvendo mais de 5% do corpo.
Créditos: Gabriel Amaral (texto). Chico Lisboa (fotos).