Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, marcado no dia 18 de maio, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) promoveu a festa Ocupa Zona Norte. O evento, ocorrido na última terça-feira, 19 de maio, reuniu usuários dos Centros de Atenção Psicossociais (Caps) do GHC, funcionários do Consultório na Rua, residentes da Faculdade de Ciências da Saúde (Facs) do GHC, jovens aprendizes e a população da região para uma celebração na praça Alfred Sehbe, na Zona Norte de Porto Alegre.
A ação, desenvolvida pela Escola GHC em parceria com o Consultório na Rua, teve como objetivo propor uma reflexão sobre a luta antimanicomial e reduzir estigmas acerca dos transtornos mentais. “Nós temos manifestações dos movimentos sociais em todo o país, que reinvindicam melhorias e fortalecimento do cuidado em liberdade. Celebramos também todos os avanços já conquistados em relação à emancipação dos usuários”, diz Sandra Fagundes, psicóloga e assessora da Escola GHC.
A festividade contou com apresentações de grupos musicais e recitação de poemas, exposições e manifestações artísticas produzidas pelos pacientes e a presença da rádio comunitária Rádio na Rua.
Além disso, contou com a participação do médico sanitarista e pesquisador Emerson Merhy, cuja atuação acadêmica inclui pesquisas sobre políticas públicas voltadas a coletivos em situação de grande vulnerabilidade social, especialmente pessoas em situação de rua, considerando os modos de produção de suas existências. “Estamos comemorando todos esses anos que nós estamos lutando aqui na nossa cidade para que todas as vidas possam se desenvolver na sua diferença, na sua potência”, pontua.
O que é a luta antimanicomial?
Com objetivo de combater o método manicomial, que consiste em tratar pessoas em sofrimento psíquico por meio de violência e exclusão social, a luta antimanicomial surge no fim da década de 1970 como um movimento social e político.
“Nós saímos de uma época em que o manicômio era o lugar para onde se mandava todo mundo que não se enquadrava nos padrões normais e criava-se uma certa tensão com isso. Todo o processo de reforma dos últimos 30 anos defende que é necessário cuidar (do paciente) em liberdade. Afirmar o dia da saúde mental com a ideia do cuidado em liberdade significa mostrar que as pessoas não são todas iguais, o normal não é igual para todo mundo”, afirma o gerente de Ensino e Pesquisa do GHC, Alcindo Ferla.
Créditos: Larissa Britto (texto e foto). Rafael Macchi (foto).