O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), realizou, na sexta-feira, 1º de maio, a primeira cirurgia robótica em hospital público 100% SUS no Estado, no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC). Foi uma prostatectomia radical assistida por robô, técnica minimamente invasiva utilizada no tratamento do câncer de próstata, que proporciona recuperação mais rápida, reduz o tempo de internação e antecipa o retorno às atividades cotidianas.
O paciente ingressou pelo sistema municipal de regulação e acessou, pela primeira vez, o serviço de Urologia do HNSC por meio do programa Agora Tem Especialistas, após encaminhamento por meio da Oferta de Cuidados Integrados (OCI). O procedimento foi realizado utilizando a plataforma Versius, operada pelo médico Daniel Melecchi de Oliveira Freitas, especialista em urologia da instituição, com auxílio do médico Nazareno Pereira Fernandes e de residentes do serviço de Urologia.
Segundo o urologista, a cirurgia representa um avanço significativo para a assistência em saúde pública, ao incluir inovação tecnológica e ampliar o acesso da população a procedimentos menos invasivos. “A incorporação desta tecnologia vai qualificar o corpo clínico e o aprendizado dos residentes, além de oferecer à população o melhor tratamento disponível no mundo para o câncer de próstata, uma doença que ainda afeta grande parte da população masculina”, explicou Melecchi.
O coordenador médico do Centro Cirúrgico do HNSC, Rafael Mossmann, reforçou que a iniciativa é um diferencial, não apenas para o GHC, mas também para todo o sistema público de saúde. “Os pacientes, profissionais e residentes passam a contar com o melhor tratamento urológico, permitindo procedimentos mais eficazes e uma recuperação muito mais rápida. Durante o mês de maio, pretendemos realizar novos procedimentos em outras especialidades”.
Tecnologia, acesso e qualificação no SUS
Para o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, a inovação reforça o compromisso da instituição com a ampliação do acesso a procedimentos de alta complexidade dentro da rede pública. “Este é um dia histórico para o Hospital Nossa Senhora da Conceição e todo o Grupo Hospitalar Conceição, em que realizamos a primeira cirurgia robótica da instituição. É importante agradecer o apoio do Ministério da Saúde e valorizar o excelente trabalho da equipe cirúrgica e do doutor Daniel, que comandou o procedimento”.
O gerente de internação do HNSC, Gabriel Hey, destacou que a incorporação da cirurgia robótica traz avanço tecnológico, segurança assistencial e qualificação profissional à instituição. “Este momento marca a incorporação da tecnologia mais avançada disponível para o tratamento de pacientes com câncer de próstata. A adoção da cirurgia robótica no HNSC também fortalece a capacidade do hospital em oferecer tratamentos de alta complexidade, alinhados às melhores práticas internacionais, dentro do SUS”, disse. “O uso da tecnologia não substitui a atuação médica, mas potencializa a capacidade do cirurgião, permitindo maior delicadeza nos movimentos e precisão em áreas anatômicas sensíveis”, completou.
Além do avanço assistencial, a implantação do programa de cirurgia robótica também está diretamente associada ao fortalecimento das atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas na instituição, que é referência na formação de profissionais de saúde. A iniciativa cria um ambiente propício para o desenvolvimento e aprimoramento técnico das equipes.
A proposta é estruturar, já a partir de 2027, um quarto ano de residência médica (R4) com foco em cirurgia robótica, fortalecendo o programa de capacitação em técnicas avançadas. A medida permitirá que médicos residentes tenham acesso à formação específica em uma das áreas mais inovadoras da cirurgia contemporânea.
Sobre o procedimento
A prostatectomia radical assistida por robô é indicada em casos específicos de câncer de próstata, especialmente quando há indicação para remoção da glândula. O método robótico permite maior precisão na retirada do tumor, com melhor preservação de estruturas adjacentes, o que pode contribuir para a redução de efeitos colaterais associados à cirurgia.
Além de ser menos invasivo e garantir uma redução no tempo de internação e no período de recuperação, o procedimento oferece vantagens como menor perda sanguínea, menos dor no pós-operatório e menor risco de complicações. A tecnologia também possibilita uma abordagem mais precisa em regiões anatômicas delicadas, favorecendo melhores resultados funcionais para o paciente.
A indicação da cirurgia segue critérios clínicos rigorosos e avaliação individualizada de cada caso, realizada pela equipe médica especializada. A incorporação da técnica ao HNSC amplia o leque de opções terapêuticas disponíveis no SUS, elevando o padrão do atendimento.
Créditos: Gabriel Amaral (Texto). Chico Lisboa (Fotos)