Estudantes da disciplina Gestão de Processos do terceiro semestre da graduação Tecnologia em Gestão Hospitalar, da Faculdade de Ciências da Saúde - FaCS/GHC, compareceram, no dia 30 de março, ao auditório da Faculdade de Enfermagem e Saúde Coletiva da UFRGS para atividade extramuros em seu horário de aula. Foram convidados pelos professores Gabriel Trevizan Corrêa e Roberto Meyer, regentes da disciplina, a participarem de aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da referida universidade. Os estudantes prestigiaram a fala de representantes do controle social do Rio grande do Sul sobre a "Conjuntura (crítica) da Terceirização na Saúde em Porto Alegre e RS".
A primeira debatedora, enfermeira Inara Ruas, presidente do Conselho Estadual de Saúde, relatou que terceirização dos serviços-fim é política do estado, sendo que 80% dos serviços de saúde estão privatizados, o que não se justifica pela Lei de Responsabilidade Fiscal nem pela suposta melhor eficiência. A maior produção que os serviços terceirizados apresentam, por sua vez, comprometem os princípios da Atenção Primária, convertendo-se em piora dos indicadores de saúde. Relatórios anuais de gestão demonstram que há mais de 10 anos o estado não investe o mínimo (12% de sua receita) em saúde exigido pela Constituição Federal.
Já a psicóloga Ana Paula de Lima, vice-coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, complementou as informações relatando que as dimensões jurídica, financeira e assistencial da saúde são consequência de um modelo de gestão escolhido por cada governo, sendo que o atual não é o modelo do SUS constitucional nem da Estratégia Saúde da Família. Ao contrário, o modelo de gestão da saúde pública exercido em Porto Alegre e RS atualmente é do empresariamento e desfinanceirização da saúde, o que tem resultado em uma terceirização proporcionalmente maior que São Paulo e Rio de Janeiro, precarização e alta rotatividade da força de trabalho, assim como indicadores de saúde significativamente piores que de outras capitais brasileiras.
O GHC ganha destaque neste debate por ser 100% SUS e ofertar, em Porto Alegre, 12 UBSs com administração pública federal, enquanto que apenas cinco unidades municipais ainda não foram terceirizadas na cidade, configurando uma experiência neoliberal prejudicial à população e ao Estado democrático de direito na capital. Durante o debate, a presença da turma da FaCS no evento foi registrado e elogiado pelas debatedoras. Os estudantes elaborarão relatório da atividade como forma de avaliação, a fim de reforçar o aprendizado desenvolvido na experiência.