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27.04.2026 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Do primeiro sinal ao acompanhamento contínuo: como funciona o atendimento a crianças com autismo no GHC

Fluxo começa na atenção básica, passa pela avaliação especializada e segue com cuidado multiprofissional articulado na rede do Grupo Hospitalar Conceição
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Atendimento no GHC é estruturado desde a identificação inicial até o acompanhamento contínuo das crianças.
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Diagnóstico precoce é fator determinante para o desenvolvimento.

O aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem impactado diretamente a organização dos serviços de saúde, especialmente na rede pública. No Hospital Criança Conceição (HCC), em Porto Alegre, que integra o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), esse cenário já se reflete na rotina assistencial, com a neuropediatria se consolidando como uma das principais portas de entrada para o cuidado especializado.

Diante da crescente demanda, o GHC tem estruturado o atendimento de forma integrada, desde a identificação inicial até o acompanhamento contínuo das crianças. O acesso começa, prioritariamente, pela Atenção Primária à Saúde, onde equipes de pediatria e medicina de família realizam a avaliação inicial e, quando necessário, encaminham os casos para atendimento especializado por meio do sistema de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).

No HCC, o atendimento em neuropediatria é realizado por especialistas voltados ao cuidado ambulatorial infantil. A neurologista infantil Michele Becker, doutora em saúde da criança e do adolescente, explica que a ampliação da demanda está relacionada, em grande parte, ao aumento da identificação dos casos. Segundo ela, o diagnóstico precoce é um dos principais desafios, mas também um fator determinante para o desenvolvimento das crianças. “É muito importante que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível. Em geral, conseguimos identificar sinais entre 18 e 24 meses, e essa é a fase ideal para rastreio”, afirma.

A especialista destaca que o processo de identificação pode começar ainda na atenção básica, com o uso de instrumentos de triagem. No entanto, reforça que esses instrumentos não fecham o diagnóstico. “É um exame de triagem. Por isso, a observação da família é fundamental”, explica.

Entre os sinais mais frequentes percebidos no dia a dia estão atraso na fala, dificuldade de interação social, pouco contato visual, desinteresse por outras crianças, além de comportamentos repetitivos e alterações sensoriais, como sensibilidade a sons e texturas. A avaliação, no entanto, considera sempre o conjunto de características, já que o espectro é amplo e se manifesta de formas diferentes em cada criança.

Após o encaminhamento para o atendimento especializado e a confirmação do diagnóstico, o cuidado passa a ser contínuo e multiprofissional. No âmbito do GHC, as crianças são acompanhadas por diferentes áreas conforme a necessidade clínica, incluindo neurologia pediátrica, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, psiquiatria e apoio nutricional, com definição de um plano terapêutico individualizado.

Para responder ao aumento da demanda, o Grupo Hospitalar Conceição vem organizando uma linha de cuidado que busca qualificar tanto o acesso quanto o acompanhamento. Entre as iniciativas, estão a implantação de protocolos voltados ao atendimento de pessoas com deficiências ocultas, como o autismo, que preveem adaptações nos ambientes assistenciais, redução de estímulos sensoriais e maior acolhimento durante o atendimento.

Outra frente é o programa GHC Acolhe, que oferece suporte a trabalhadores da instituição que são pais ou responsáveis por crianças com deficiência. A iniciativa inclui medidas como o Regime de Trabalho Especial (RET), que permite ajustes na jornada para acompanhamento de consultas e terapias, além de grupos de apoio voltados às famílias.

A organização do cuidado reforça que o atendimento não se encerra no diagnóstico, mas envolve acompanhamento contínuo e suporte às famílias. “Quando a família chega, ela chega muito assustada, sem saber como agir. O primeiro passo é acolher, orientar e garantir que essa criança entre em acompanhamento o mais cedo possível”, resume Michele Becker.

Créditos: Daiane Balardin (Texto). Chico Lisboa (Fotos).