“É pau, é pedra, é o fim do caminho”. O trecho da canção “Águas de março”, de Elis Regina e Tom Jobim, conduziu a discussão principal do sarau homônimo a música em alusão à progressão da violência praticada por homens contra as mulheres. Devido ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul no início deste ano, o evento, realizado no dia 27 de março pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em parceria com três escolas da Zona Norte de Porto Alegre, teve como objetivo conscientizar os jovens aprendizes do GHC sobre o combate à violência de gênero.
O evento reuniu cerca de 100 pessoas, entre jovens aprendizes, pais, responsáveis e representantes do GHC na Escola Técnica Mesquita. Além disso, participaram os representantes das escolas Dom Diogo de Souza, Dolores Alcaraz Caldas e Mesquita. O evento foi recheado de atrações artísticas, como capoeira, grupos musicais, recitação de poemas e coral.
Também houve momentos de reflexão sobre a crescente violência contra as mulheres. “Infelizmente, o Rio Grande do Sul está vivendo um momento muito difícil, onde muitas mulheres têm sido assassinadas simplesmente pelo fato de serem mulheres. Por isso, nós levantamos a voz e nos colocamos nessa posição de enfrentamento ao feminicídio”, destacou Gerusa Bittencourt, gerente da Atenção Primária à Saúde do GHC.
As diretoras de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação e de Atenção à Saúde do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva e Rosana Reis Nothen, respectivamente, participaram do evento. “Esses casos de violência são bastante assustadores, não só para nós que somos da saúde”, disse Rosana. Ela destacou ainda a importância da criação de meninos em um ambiente familiar acolhedor como forma de desestimular a violência de gênero.
Esteve presente também a vereadora Grazi Oliveira (PSOL), representante da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de Porto Alegre desde 2025, que provocou os jovens com reflexões sobre papéis de gênero e suas consequências.
Uma das participantes cruciais do sarau foi uma vítima de tentativa de feminicídio que, na época do crime, foi socorrida no Hospital Cristo Redentor (HCR). Ela expôs aos jovens como a violência extrema provocada pelo seu ex-companheiro causou cicatrizes e dores profundas e permanentes em sua vida.
Créditos: Larissa Britto (texto). Chico Lisboa (fotos).