No dia 19 de março, o Hospital Fêmina (HF) promoveu uma capacitação com a abordagem do aborto previsto em lei (APL) às equipes multiprofissionais da Gerência de Atenção Primária à Saúde (GAPS). O evento, que ocorreu no auditório do hospital, contou com a presença de 40 participantes e debateu o processo da assistência e dos direitos das mulheres.
A capacitação foi ministrada pela ginecologista e obstetra do HF Carolina Pereira, pela médica de família e comunidade da GAPS Martha Collares, pela assistente social Lisiane Villeroy e pela psicóloga Amanda Sprenger, que trouxeram conceitos e dados básicos, protocolos de atendimento acolhedor e respeitoso e, finalizando, apresentaram alguns casos atendidos para debater com os participantes.
“É muito importante realizar essa atividade como forma de capacitar as equipes de atenção básica para orientarem essas mulheres onde e como serão acolhidas e reafirmar a segurança do procedimento. Quanto mais pudermos evitar que as mulheres estejam sujeitas a fazer procedimentos inseguros, com risco à vida, melhor”, declara a gerente de Internação do Hospital Fêmina, Niva Martinez, perante a falta de acessibilidade, informação e acolhimento que comprometem a vida de mulheres no Brasil.
Como ocorre o APL
De acordo com a constituição, se concede a possibilidade de interrupção de gestação às mulheres com risco de morte materna, feto com anencefalia e gestação por violência sexual. No Grupo Hospitalar Conceição (GHC), as pacientes que se enquadrarem nos permissivos legais citados serão atendidas no Hospital Fêmina ou no Hospital Nossa Senhora da Conceição.
As pacientes chegam via emergência e têm prioridade no atendimento (risco vermelho do Protocolo de Manchester), sem exigência de boletim de ocorrência. Elas passam por consulta médica e exames (inclusive ecografia) e são encaminhadas ao atendimento multiprofissional (médico, enfermeiro, psicólogo e assistente social) para receber um atendimento acolhedor e humanizado. Após essas etapas, o procedimento é realizado. Mesmo depois de finalizar o procedimento, o atendimento não se encerra e a paciente fica vinculada ao hospital por um período. Se necessário, ela será encaminhada à rede.
Créditos: Geovana Tavares