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23.03.2026 ARTIGO

O doce que desarma: a revolução gentil de um segurança

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Funcionárias receberam os doces produzidos por Robson Gitai.

No Hospital Fêmina (HF), o 8 de março ganhou um significado profundo por meio das mãos do agente de segurança Robson Gitai, que, há quase 20 anos, percorre aqueles corredores. Há quatro anos, porém, compreendeu que sua missão ia além da vigilância: era preciso também guardar o bem-estar de quem cuida.

As mulheres trabalhadoras que estavam de plantão nesta data, que caiu em um domingo, tiveram mais leveza na rotina, sendo homenageadas pelo colega, com um mimo especial. Não se trata da "política do presente" ou de uma entrega protocolar. O que o Robson oferece é tempo e energia.

Ao dedicar dias inteiros de seu descanso domiciliar no preparo artesanal de 165 cocadas, panela por panela, ele não entrega apenas um doce, ele entrega atenção e consideração real, transformando o esforço físico em um gesto de ternura.

O ato de cozinhar e servir é uma forma poderosa de comunicação. Para um homem acostumado ao rigor da segurança, trocar a postura vigilante pelo avental e o ponto exato da receita é um movimento de coragem. A cocada, nesse contexto, assume um poder silencioso: ela quebra a rigidez masculina.

Ao ocupar esse lugar de cuidado, o homem é levado a reavaliar sua própria masculinidade. O gesto torna-se um ponto de partida para o diálogo e um exercício prático contra o machismo estrutural. É a gentileza substituindo o distanciamento, e o reconhecimento ocupando o lugar da indiferença que, muitas vezes, marca o ambiente de trabalho.

Para as profissionais do Hospital Fêmina, a cocada representa visibilidade e respeito. Para o homem que a produz, o processo é uma escola de sensibilidade. No fim das contas, o doce é o fio condutor de uma transformação maior: a de um profissional que escolheu substituir a armadura da função pela força transformadora do cuidado, da atenção e da gentileza.

Um Exemplo de Humanidade

Para as gerências do Hospital Fêmina, essa iniciativa é vista como um exemplo que, embora pareça simplório, indica um caminho fundamental: o de homens assumindo a defesa do antimachismo por meio de pequenos gestos. É a prova de que a desconstrução de comportamentos rígidos e a promoção do reconhecimento não dependem de grandes
solenidades, mas da disposição individual em enxergar e valorizar o outro no cotidiano.

"No cenário social atual, de tantos desafios em relação à violência contra as mulheres, o gesto espontâneo do trabalhador Robson, ao homenagear as colegas, promove uma reflexão necessária sobre o respeito nas relações humanas. Além disso, o bem-estar da nossa equipe é um pilar essencial para o cuidado hospitalar humanizado", diz o gerente de Administração do HF, Cláudio Silva.

"Para nós, mulheres da assistência, o gesto do Robson é uma forma de visibilidade. Ver um profissional da segurança trocar o rigor da função pelo preparo artesanal de um doce humaniza nosso cotidiano. Mais do que um mimo, essa atitude rompe distanciamentos e prova que, quando há sensibilidade, respeito genuíno e atitude é possível, inclusive, contribuir para a redução das estatísticas de violência", conclui Niva Martinez, gerente de Internação do Hospital Fêmina.

Créditos: Marco Antônio dos Santos