O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) promoveu, dia 20 de março, o evento “Encontro de Saúde da População Negra da Gerência de Atenção Primária à Saúde (GAPS)”. O encontro, realizado no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, teve como objetivo reunir trabalhadores das Unidades de Saúde da GAPS para refletir e qualificar a aplicação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). Essa política pública é uma iniciativa do SUS que visa combater o racismo institucional e as desigualdades étnico-raciais no acesso à saúde.
Na mesa de abertura, estiveram presentes a diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Nothen, a gerente de Atenção Primária à Saúde do GHC, Gerusa Bittencourt, a presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial do GHC (Ceppir – GHC), Fernanda Vargas, a coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional de Atenção à Saúde Mental do GHC, Christiane Silveira Kammsetzer, a coordenadora do Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade, Brendha Silva Givisiez, e, representando o Conselho Municipal de Saúde, a assessora da secretária executiva do Conselho, Rosemari de Souza Rodrigues.
A diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Nothen, salientou o racismo existente na Medicina e a importância da visibilidade ao tema. “Vemos um movimento na literatura internacional muito grande em apontar o racismo dentro da Medicina. Há um lugar muito profícuo para estudarmos a negligência das doenças que impactam a população negra. E isso vem ganhando muita visibilidade também nas questões de gestão, nas decisões, na alocação de recursos e também do atendimento dentro dos consultórios e dos hospitais, onde vemos que várias das situações são pautadas pelo racismo. Penso que precisamos dar a visibilidade a essas situações para além de dar uma atenção especial no dia a dia, quando a gente tá trabalhando com a população negra, tem a ver com estarmos presentes em lugares onde se pautam as políticas públicas e onde orçamentos são definidos, porque definitivamente a gente precisa ter um olhar especial para esse assunto. É urgente”, afirmou.
A gerente de Atenção Primária à Saúde Gerusa Bittencourt ressaltou as ações da GAPS a fim de garantir equidade no Sistema Único de Saúde (SUS). “Falando da Gerência de Atenção Primária à Saúde, temos feito um esforço para concretizarmos essa política pública de uma maneira que ela seja visível, reconhecida e que consigamos identificar por meio das nossas ações que, de fato, estamos combatendo o racismo e promovendo a saúde da população negra de uma forma efetiva e real. É também assumir esse compromisso e responsabilidade de combater o racismo no SUS, entendendo que sim, o racismo é um determinante do adoecimento e que precisamos construir uma sociedade mais equânime, igualitária e justa.”
A presidente da CEPPIR – GHC, Fernanda Vargas, enfatizou a importância da reflexão acerca do racismo estrutural. “É importante estarmos na luta e na busca por equidade no SUS. Apesar de estarmos em uma sociedade onde nós somos 56% da população, não se discute toda a população negra, ela é sempre secundária. Estamos falando de racismo estrutural, quando uma pessoa negra chega ao pronto-atendimento há um viés implícito: Como vou tratar aquela pessoa? É pelo que estou enxergando ou pelo que ele realmente sente? Para quem eu vou dar mais importância no atendimento, na hora da dor, a pessoa negra ou a pessoa não negra? Isso tem que estar dentro de nós enquanto pessoas da saúde, se avaliar o tempo todo e se perguntar aonde esse racismo estrutural ainda habita dentro de nós.” Ainda, reafirmou a necessidade do SUS ser um espaço acolhimento e de escuta ativa.
“Nessa onda de feminicídio, 67% das vítimas foram mulheres negras, isso é crônico, isso é estrutura. E quando uma mulher negra procura atendimento no SUS para falar sobre suas dores ela precisa ser ouvida e não julgada. Estamos aqui para tratar o SUS de forma equânime. Ele atende a todos, a todas e sem diferença de cor, crença ou etnia”, declarou Fernanda ao finalizar sua fala.
A atividade contou com relatos de experiências e apresentações artísticas de trabalhadores.
Créditos: Arthur Mayer