Os resultados da pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres 2026”, do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, aponta que 82% das mulheres porto-alegrenses afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio, o maior índice entre as dez capitais brasileiras analisadas. As ruas, praças e parques concentram 66% das ocorrências relatadas, evidenciando como os espaços públicos concentram mais da metade dos casos de violência de gênero. Mas e para mulheres que vivem nesses espaços de vulnerabilidade? Quais são suas redes de apoio?
Foi com o objetivo de discutir essa realidade e dar visibilidade ao tema que a Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência (Re-Human) do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e a Gerência de Atenção Primária à Saúde, por meio do Consultório na Rua Pintando Saúde GHC, promoveram, nessa quinta-feira, 12 de março, uma atividade alusiva ao Mês da Mulher. A ação ocorreu na Praça Alfred Sehbe, na zona Norte de Porto Alegre, e reuniu usuários atendidos pelo serviço e trabalhadores do Grupo.
Na ocasião, as profissionais da Re-Human Jéssica Silva, assistente social, e Bhárbara Senne, psicóloga, promoveram um momento de orientação para o público, que esteve constituído majoritariamente por homens, para debater relações afetivas e o cuidado com as mulheres. Durante a atividade, também foram servidos lanches e doadas roupas e absorventes.
Consultório na Rua
Atuando por toda a Zona Norte de Porto Alegre, o Consultório na Rua Pintando Saúde GHC é um dos pontos de atendimento de atenção primária à saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) que acolhe diretamente pessoas em situação de rua ou em extrema vulnerabilidade. A equipe realiza grande parte de seu trabalho no próprio espaço público, circulando por ruas, calçadas e praças para identificar demandas de saúde e estabelecer contato com essa população.
Além das abordagens, o trabalho também envolve articulação com os outros serviços do SUS, encaminhando usuários para unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento ou hospitais, conforme a necessidade. A equipe conta com profissionais de diferentes áreas, incluindo serviços médicos e de enfermagem.
No caso das mulheres em situação de rua, o psicólogo do Consultório na Rua Maurício Garcia dos Santos destaca a complexidade por trás dessa vivência. “Além da precariedade das condições de vida, muitas enfrentam situações recorrentes de violência de gênero que, frequentemente, permanecem invisibilizadas, assim como elas mesmas. ”
Créditos: Rafael Macchi.