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12.12.2018 AVANÇO

Hospital Conceição inaugura Laboratório de Tuberculose

Iniciativa, viabilizada com verba internacional, vai beneficiar pacientes do SUS, que terão tempo do resultado do exame reduzido de 60 para 30 dias
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O laboratório conta com nível 3 de proteção - NB 3.
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Na mesa de abertura, Mauro Sparta, Lúcia Osório, Liliane Dreyer, Adriana Acker, José Ricardo Agliardi Silveira, Breno Riegel Santos e Andréa Cauduro.
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Gestores fazem o descerramento simbólico da placa de inauguração.
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Bioquímico Jorge Alberto Santiago Ferreira apresenta em imagens o laboratório.
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Profissionais prestigiaram o ato.

Com o objetivo de atender à necessidade de ampliação do Laboratório Clínico do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) para realizar o diagnóstico da tuberculose, uma Parceria Público-Privada entre o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o Instituto de Pesquisa em Aids do Rio Grande do Sul (Ipargs) viabilizou a criação do Laboratório de Tuberculose no hospital. A cerimônia de inauguração ocorreu na manhã da última terça-feira, dia 11 de dezembro, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo GHC.

Na mesa de abertura da cerimônia, estavam presentes a diretora-superintendente do GHC, Adriana Denise Acker, o diretor técnico da instituição, Mauro Sparta, e o diretor administrativo e financeiro do Grupo, José Ricardo Agliardi Silveira, além da gerente de Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento do HNSC, Lúcia Osório, do presidente do Ipargs e chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Conceição, Breno Riegel Santos, da coordenadora do Laboratório de Análises Clínicas do hospital, Andréa Cauduro, e da promotora de justiça da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, Liliane Dreyer. O coordenador da assistência laboratorial da Secretaria de Saúde de Porto Alegre, Bruno Goulart, e a chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, representando a diretoria médica do hospital, Marli Maria Knorst, também estiveram no evento.

Para Andréa Cauduro, o laboratório vai melhorar a qualidade de atendimento prestada à população e agradeceu toda a equipe envolvida no projeto. “Estamos concretizando mais uma conquista. Em 2007, fomos o primeiro serviço do Brasil com a Acreditação Laboratorial. Sete anos depois, definimos que a tuberculose merecia um atendimento mais ágil e, com isso, começamos a projetar o laboratório. Agora podemos oferecer aos pacientes um atendimento digno”, comentou Andréa.

A gerente Lúcia Osório destacou a importância que o laboratório tem em antecipar os diagnósticos e melhorar a segurança dos funcionários que trabalham diretamente com a doença. “Segundo José Luís Castro, que foi diretor da União Internacional da Tuberculose e de Doenças Respiratórias, ‘o progresso para acabar com a tuberculose é muito lento [...]. A epidemia é mais que um problema médico, é um problema social, político e econômico, e precisamos de diferentes tipos de profissionais trabalhando de maneira efetiva se queremos eliminar a tuberculose no Brasil’. Portanto nós estamos no caminho certo”, ressaltou Lúcia.

“Há um número importante de agentes públicos envolvidos nesse projeto. Profissionais que carregam consigo, além do seu conhecimento, um patrimônio moral, que certamente possibilitou esse feito. Alguns momentos como este passam a escrever parte da história desta instituição, deixa a diretoria honrada em estar presente”, contou o diretor administrativo e financeiro do GHC, José Ricardo Agliardi Silveira, que também comentou sobre o impacto que o laboratório vai trazer para o Grupo Conceição e para seus usuários. “O que está sendo materializado aqui é algo que impacta na vida do coletivo e na vida das pessoas. Parabéns à equipe envolvida e a todos os funcionários do Grupo Conceição”. Ele ainda destacou a presença da promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos Liliane Dreyer e lembrou dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos completos no dia 10 de dezembro.

A promotora Liliane Dreyer contou sobre o impacto que a doença causa para classes sociais mais carentes, principalmente no regime prisional. Ela comentou que a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos trabalha com um núcleo de saúde, onde Liliane ocupa um dos três cargos presentes, atuando com o tema tuberculose. “Nosso sistema prisional hoje, principalmente em Porto Alegre, é um dos maiores focos de epidemia da doença na cidade”, revelou. A promotora parabenizou o GHC pelo imediatismo.

Para o diretor técnico da instituição, Mauro Sparta, o laboratório vai qualificar o serviço do hospital e agilizar o tratamento dos pacientes. “Hoje é um dia de realização, pois estamos entregando um instrumento muito importante para a área da saúde, que facilitará o tratamento e o diagnóstico da doença. Porto Alegre é a capital que mais tem casos de tuberculose, por isso, temos que qualificar cada vez mais nosso corpo técnico. Cumprimento a todos por este trabalho. Somos um Grupo do ensino, da pesquisa e da boa convivência com as demais instituições, pensando sempre no melhor na saúde das pessoas”, apontou Sparta.

A diretora-superintendente do GHC, Adriana Acker, lembrou sobre a evolução que o atendimento da instituição vem prestando, destacando o trabalho de dois anos realizado na Emergência do Hospital Conceição, que está servindo como referência para hospitais de todo o país. "Agradeço a todos os envolvidos e que levaram este projeto adiante, precisamos de pessoas audaciosas e empreendedoras, e vocês foram exemplo disso. É com satisfação que estamos inaugurando um laboratório de qualidade e de segurança. Vamos melhorar o atendimento à população mais carente, que necessita do SUS. Esse é um investimento de extrema importância para o Estado, que tem 99 casos a cada cem mil habitantes, cerca de três vezes mais que as principais capitais do Brasil”, comentou Adriana.

Após a mesa de abertura, o farmacêutico-bioquímico do HNSC Jorge Alberto Santiago Ferreira fez uma apresentação ao público, mostrando como é o novo laboratório de tuberculose. Por fim, foi realizado o descerramento simbólico da placa, que posteriormente foi afixada no lugar definitivo.

Laboratório de Tuberculose

Conforme explica o presidente do Ipargs, Breno Riegel Santos, médico infectologista e chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Conceição, manipular a cultura de tuberculose é perigoso, devido ao alto grau de infecção do bacilo causador da doença. Por isso, é necessário que o laboratório seja de nível 3 de proteção - NB 3, ou seja, com máxima segurança, possuindo pressão negativa - o ar de dentro do laboratório não poder sair do local - e capelas de fluxo.

A criação desse ambiente com pressão negativa gerou a necessidade de reforma do Laboratório Clínico, assim foi adaptada a área onde funcionava o Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) para a construção do Laboratório de Tuberculose. A obra foi custeada com verba internacional, uma doação feita pelo Instituto de Pesquisa em Aids da Universidade da Califórnia (UCLA), dos EUA, por meio do Ipargs.

De acordo com Santos, a iniciativa é de grande importância tendo em vista que Porto Alegre é a capital brasileira com o maior coeficiente de incidência da doença, com 99 casos para cada 100 mil habitantes. O valor médio nacional é de 33 casos para cada 100 mil habitantes. O Brasil faz parte do grupo dos 22 países de alta carga priorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo, ocupando a 16ª posição em número absoluto de casos. Com o diagnóstico e o tratamento adequados, é possível curar a doença.

Para o médico pneumologista do Hospital Conceição Roberto Targa Ferreira, com um laboratório desse nível, o GHC tem a possibilidade de ser referência terciária para tuberculose no Estado. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem apenas o Hospital Sanatório Partenon. Ferreira lembra que, em Porto Alegre, 30% dos casos de tuberculose são coinfectados com o vírus HIV. No Brasil, são cerca de 10% dos casos coinfectados.

Conforme a coordenadora do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Conceição, Andréa Cauduro Castro, no ano de 2017, o setor identificou um total de 188 culturas positivas, sendo 89,2% integrantes do Complexo Mycobacterium tuberculosis (CMT) e 10,8% das amostras sendo não tuberculosis (NMT). Estes dados, segundo ela, demonstram a importância de se poder verificar com mais rapidez o perfil de sensibilidade destas cepas. E é neste contexto que se insere o novo Laboratório da Tuberculose do GHC. Com as novas instalações, a instituição estará apta a realizar, com segurança, esta técnica do antibiograma, podendo abreviar o tempo de resposta, que hoje gira em torno de 60 dias, para algo em torno de 30 a 35 dias.

Créditos: Guilherme de Faveri