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25.06.2018 CHEGAR ANTES

Seminário aborda mudança de cultura em atenção à saúde mental

Com reflexão de casos psíquicos, equipe de Atenção Primária à Saúde discute novas práticas em atenção à saúde da família
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Antônio Selistre e Luiz Ziegelmann.
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Equipe do Consultório na Rua fez um esquete sobre o tema.
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João Celestino Trindade Quadros.
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Marcelo Augusto Simões Parras.
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Encontro foi dirigido às equipes de atenção primária da Gerência de Saúde Comunitária do GHC.

Foi realizado na sexta-feira, dia 22 de junho, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida do Centro Administrativo GHC, o Seminário Como Chegar Antes do Adoecimento Psíquico. Direcionado às equipes de atenção primária da Gerência de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (GSC/GHC), o encontro discutiu novas práticas em atenção à saúde mental.

Idealizado pelo médico psiquiatra do GHC Luiz Ziegelmann, o seminário deu início à discussão que segue com grupo de trabalho a fim de treinar um novo olhar para o atendimento em atenção à saúde da família. A mesa de abertura contou com a presença do gerente de Saúde Comunitária do GHC, Antonio Selistre, além de Luiz Ziegelmann. "Todos temos o direito de ter uma vida saudável e não se pode discutir saúde ignorando o adoecimento psíquico numa sociedade inteira. Porém, como chegar antes dele acontecer? Esta é a provocação deste seminário e desejo que, ao final, possamos enxergar melhor o papel da atenção primária na prevenção da saúde mental e na formação de multiplicadores de rede, que vão além das nossas atividades cotidianas", falou Selistre ao cumprimentar os presentes em nome da diretoria e da GSG/GHC e parabenizar a organização do evento pela disposição em criar a discussão.

O médico Luiz Ziegelmann falou sobre as motivações para o trabalho. "Tem uma certa indignação de a gente estar atendendo pessoas, que nos marcam muito. Como as mães de jovens que são assassinados precocemente, principalmente relacionados às questões das drogas e do tráfico, que são tragédias que ilustram algumas coisas que poderíamos estar fazendo para tentar evitá-las". Além disso, Ziegelmann aponta que a literatura de formação acadêmica trata basicamente a doença, as psicopatologias, mas não trata dos mecanismos de produção de vida nas pessoas. "Refletimos a necessidade de tomar a vida como ética do cuidado. Isso me inquieta há muito tempo, daí veio a ideia de trazer a discussão", explica.

Após abertura, o primeiro momento do seminário trouxe três casos clínicos apresentados pela Equipe do Consultório na Rua, pelo médico hebiatra e psiquiatra de Infância e Adolescência do GHC João Celestino Trindade Quadros e pelo médico residente da Unidade de Saúde Nossa Senhora Aparecida Marcelo Augusto Simões Parras. As apresentações mostraram como chegam e são tratados os casos hoje em dia. No segundo momento, os profissionais fizeram o exercício de inversão da lógica, buscando formas de antecipar o diagnóstico de adoecimento ou agravamento dos casos.

Após o intervalo, todos os participantes foram divididos em quatro grupos para discussão dos temas: Estratégias de inclusão do grupo familiar, o cuidado em saúde mental, para Chegar Antes; Como multiplicar e transversalizar saberes na perspectiva do cuidado inter/transdisciplinar, de modo sistemático nas Unidades de Saúde, repensando a clínica na perspectiva do Chegar Antes; Criação de estratégias e atividades de educação em saúde que favoreçam a aquisição de conhecimento, para grupo de mulheres, homens, pais e jovens para a promoção de saúde e da vida; Como integrar as escolas no Chegar Antes, tendo como norte aquelas crianças e adolescentes com algum tipo de conflito e/ou alguma suscetibilidade ao sofrimento.

De volta ao grande grupo, cada um dos quatro, trouxe os pontos principais das discussões e sugestões para o enfrentamento do problema referido no tema. O encontro encerrou com debate coletivo sobre as sugestões e propostas de como Chegar Antes.

O médico psiquiatra Luiz Ziegelmann comentou satisfeito o resultado desta primeira ação em torno da discussão. "Embora o título do seminário trate sobre o adoecimento psíquico, a reflexão vale para a saúde da família. No fundo, isso não pode ser só sobre a saúde mental e sim em todos os campos dos saberes. O eixo é deslocar o atendimento do indivíduo para família. Tudo é relacional e começa ali", explica Ziegelmann. Para ele, o valor maior é a vida e não a doença ou a saúde. Ciente do longo caminho pela frente, o médico complementa: "Isso é uma inversão da lógica, uma mudança de cultura, dos discursos e da sensibilidade. É o campo da utopia e do sonho. Mas a gente tem que morar na utopia se não a gente não faz nada. Hoje demos início ao processo que segue com o Grupo de Trabalho (GT) para essa construção passo a passo".

Créditos: Bruno de Barros.