Grupo Hospitalar Conceição
17.05.2018 DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

Criado protocolo que normatiza procedimento de preparo antialérgico para pacientes submetidos a exames com contraste iodado endovenoso

Elaborada pelo Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Conceição, orientação vale para todo o GHC
CDI/HNSC realiza em média 3 mil tomografias por mês.

O contraste iodado administrado na tomografia e eventualmente em urografia (raio X telecomandado) historicamente causava muitas reações alérgicas. Com o passar dos anos, novos contrastes foram desenvolvidos, que hoje causam menos reações, especialmente graves.

A partir do avanço dos estudos que definiram as reais indicações de uso de uma pré-medicação para prevenir uma reação ao contraste, o Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Conceição (CDI/HNSC), criou o Protocolo Clínico de Indicação para o Preparo Antialérgico Pré-Injeção Endovenosa de Contraste Iodado para Tomografia Computadorizada com Contraste e Urografia, a fim de padronizar o procedimento de preparo aos pacientes submetidos ao exame. O documento é de autoria da médica e coordenadora do CDI/HNSC, Juliana Lohmann Machado, e dos médicos Vinícius Valério Silveira de Souza e Fernando Fernandez Hexsel.

Elaborado no segundo semestre de 2017, o protocolo está disponível no repositório de documentos do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e a orientação é válida para toda a instituição. O objetivo do CDI é padronizar o uso do preparo antialérgico conforme recomendação revisada em 2017 pelo American College of Radiology. A instituição, referência para o CDI/HNSC, rege internacionalmente as equipes de radiologia, por sua excelência.

Conforme a coordenadora do CDI/HNSC, Juliana Lohmann, o alto índice de cancelamento de exames geravam dois problemas ao fluxo do CDI e ao HNSC, o que motivou a padronização do procedimento. "Primeiro, o retardo do diagnóstico, que, no caso de pacientes internados, retardava o tratamento e aumentava o tempo de internação. Segundo, a oferta de remédios sem necessidade, de uma maneira indiscriminada", explica Juliana.

O CDI/HNSC realiza em média 3 mil tomografias por mês. Cerca de 25% dos pacientes recebiam preparo antialérgico, sendo que a maioria se tornou desnecessário frente às novas evidências científicas atuais. O preparo antialérgico não é isento de risco, devendo sua indicação ser muito criteriosa.

Três situações são consideradas potencialmenete de alto de risco para reação ao contraste, e pacientes com essas condições permanecem recebendo o preparo antialérgico, são eles: pacientes que já passaram pelo procedimento sofrendo a reação; pacientes com histórico de múltiplas alergias com eventos alérgicos graves e pacientes em crise de asma. Conforme explica Lohmann, uma das reações moderadas ao contraste é o broncoespasmo. "Em um paciente em crise de asma, a piora do broncoespasmo, pode ser grave. Para estes pacientes o ideal é evitar e postergar o exame e só fazer se for realmente de urgência", explica a médica.

O protocolo ainda normatizou os casos de preparo agudo, quando o paciente está sob uma das condições de alto risco à reação e necessita realizar o exame com urgência. "Este paciente não pode esperar o tempo padrão de 13 horas para o preparo. Neste caso, o preparo agudo inclui medicações injetáveis com no mínimo 4 horas de preparo. Também conseguimos padronizar outra medicação, a difenidramina, que conforme os consensos internacionais é aplicada uma hora antes do exame", explica Lohmann.

A criação do protocolo recebeu apoio da Gerência de Ensino e Pesquisa do GHC (GEP / GHC). Conforme o Coordenador de Pesquisa da GEP/GHC, Sérgio Antonio Sirena, "trata-se de iniciativa que denota interesse, responsabilidade e comprometimento com a filosofia de manter e melhorar a qualidade da atenção dispensada aos pacientes, aliada a racionalização de ações e custos".

Creditos: Bruno de Barros (Texto). Arquivo CDI/HNSC (Foto).