Grupo Hospitalar Conceição
12.09.2017 SAÚDE MENTAL

GHC realiza 2ª Jornada de Prevenção do Suicídio e Valorização da Vida

Evento organizado pela Escola GHC em parceria com o CVV proporcionou aos presentes momentos de reflexão sobre o assunto
Mesa de abertura contou com a presença de representantes do GHC, autoridades estaduais e municipais.
Palestrantes falaram sobre taxas de suicídio no estado e no país.
Público atento às informações apresentadas.

A fim de promover a conscientização em torno da prevenção do suicídio, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), com o apoio do Centro de Valorização à Vida (CVV), realizou nesta terça-feira, 12 de setembro, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, a 2ª Jornada de Prevenção do Suicídio e Valorização da Vida. O evento ocorreu em alusão à campanha Setembro Amarelo, que busca conscientizar a população sobre o suicídio.

O diretor técnico do GHC, Mauro Sparta, destacou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que apontam o suicídio como a segunda causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito. “A nossa presença aqui mostra o quanto estamos preocupados com o tema e, aqui, nós podemos realmente fazer alguma coisa”, disse ele, se colocando à disposição para traçar planejamentos que reduzam a incidência desses números.

O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de ações preventivas, esteve em destaque na fala do diretor administrativo e financeiro do GHC, José Ricardo Agliardi Silveira, que também agradeceu o trabalho dos profissionais que trabalham em prol da vida. “É imprescindível que façamos o nosso papel e percebamos o quanto é importante a empatia e, principalmente, analisemos o quanto nosso comportamento impacta na vida do outro”, afirmou fazendo referência ao tema.

Geraldo Jotz, gerente de Ensino e Pesquisa do Grupo, citou a importância da pesquisa para o tema. “É importante ir a fundo nas causas, porque, quando alguém comete o ato do suicídio, não agride só a própria pessoa, mas a todos que estão em volta, desde profissionais que a atendem até familiares, amigos e colegas que convivem diariamente”, frisou.

A psicóloga do GHC e representante da organização do evento Adriana Canto Loguércio falou sobre a importância de políticas públicas que intervenham em prol da população que pratica a violência autoprovocada, como a inserção de novos serviços de referência, capacitação das equipes de saúde básica e espaços para debater o tema. Adriana ainda reservou um momento em sua fala para destacar o trabalho que vem sendo realizado no Grupo, como as capacitações ao longo dos anos e implantação da ficha Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que notifica casos que precisam de atenção. “Por meio do Sinan, de 2010 até agosto deste ano, nós acumulamos 889 notificações de violência autoprovocada e 813 tentativas de suicídio. Nós fomos de 36 notificações para 228, foi um aumento alarmante”, disse.

Autoridades externas também estiveram presentes na atividade para abordar o tema, considerado de extrema relevância para a coordenadora do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), Andréa Volkmer.

“Nos alegra muito ver que o GHC está engajado na prevenção do suicídio, porque ele está aí e é necessário que saibamos entender, para que saibamos como lidar. Há uma necessidade de um cuidado multiprofissional e, por isso, é fundamental que todos se envolvam nessas discussões”, salientou. Durante o diálogo, Andréa convidou o GHC para fazer parte do Comitê de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, que reúne diversas instituições governamentais e não governamentais. “Seria uma honra para nós ter um dos grupos que mais tem se esforçado para se incluir nesta estratégia, atuando conosco”, finalizou.

“Os números podem não parecer relevantes, mas são, porque perder uma vida é inaceitável, ainda mais por ser algo que pode ser evitado”, salientou a psicóloga da equipe de Eventos Vitais da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS), Sandra Birnfeld Kurtz .

Debate

O evento ainda contou com a mesa-redonda “Cenário das Lesões Autoprovocadas: Tentativas de Suicídio e Autoagressões”. Na ocasião, as palestrantes convidadas foram a médica do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia dos Hospitais Conceição e Criança Conceição Ivana Varella, a pediatra da Equipe de Eventos Vitais da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre Maria de Fátima Géa e Andréa Volkmer, que também esteve presente na mesa de abertura.

No Brasil, a média anual é de cinco suicídios a cada 100 mil pessoas, variando de estado a estado. O Rio Grande do Sul tem o maior índice, oito a cada 100 mil, equivalente a três suicídios a cada 24h. Segundo Ivana Varella, estudos recentes preveem um aumento de 50% em todo país até 2020.

O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde um problema de saúde pública. Pensando nisso, a Associação Internacional de Prevenção do Suicídio escolheu o mês de setembro para criar o movimento chamado de Setembro Amarelo. O Grupo Hospitalar Conceição atua em prol da causa, por meio de uma rede de apoio e tratamento às pessoas com esta patologia nos atendimentos dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e rede de saúde mental.

Creditos: Graziella Silva